O desfecho de um dos casos mais emblemáticos de violação de direitos humanos em Alagoas tem data marcada para o julgamento. No dia 04 de maio, às 7h30, em Maceió, agentes do Estado sentarão no banco dos réus pelo desaparecimento e morte do adolescente Davi da Silva, ocorrido em agosto de 2014.
O Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Zumbi dos Palmares (CEDECA/AL) convocou movimentos sociais e a imprensa para acompanhar o julgamento, que ocorre após mais de uma década de entraves judiciais.
Davi da Silva desapareceu aos 17 anos, no bairro Benedito Bentes, após ser abordado por uma guarnição da Polícia Militar.
Segundo o processo, o jovem foi colocado dentro de uma viatura policial e nunca mais foi localizado. As investigações apontam que agentes públicos estiveram envolvidos em crimes de tortura, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
O julgamento é marcado por uma espera dolorosa: a mãe de Davi faleceu sem ver a conclusão do caso, após dez anos de luta por respostas que nunca chegaram sobre o paradeiro do filho.
Além disso, o processo enfrentou sucessivos adiamentos e a morte de uma testemunha-chave meses após o crime, o que aumentou a complexidade e a sensação de impunidade em torno do episódio.
Para o CEDECA, o júri popular do dia 13 representa mais do que uma decisão judicial individual. “Este é um momento de afirmação de que as vidas de crianças e adolescentes importam e que violações institucionais não podem ser silenciadas”, afirma a entidade.
O julgamento é visto como uma oportunidade decisiva para que o Estado brasileiro responda sobre o desaparecimento forçado de jovens em comunidades periféricas.
O CEDECA reforça que a presença da sociedade civil no tribunal é fundamental para garantir a transparência do processo. O caso Davi tornou-se um símbolo do enfrentamento à violência institucional em Alagoas, e o veredito é aguardado como um divisor de águas.
