Doze anos depois do julgamento dos autores materiais, Klinger Lins Pinheiro Dias Gomes e Mustafá Rodrigues do Nascimento, ambos condenados a 20 anos e 10 meses e 21 anos, respectivamente, pela morte da funcionária pública Quitéria Pinheiro, à época com 54 anos, a irmã da vítima, Luciana Pinheiro, apontada como autora intelectual, irá a júri popular na próxima quinta-feira (9).

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) terá na acusação o promotor de Justiça Antônio Vilas Boas. O júri ocorre após o recurso de apelação do MPAL ser acolhido pelo Tribunal de Justiça (TJAL), que determinou novo julgamento, no Salão do Júri da 7ª Vara Criminal da Capital. 

“O Ministério Público entendeu que a decisão dos jurados foi manifestamente contrária às provas dos autos, uma vez que reconheceram ter sido a ré a mandante do crime, no entanto, a absorveram por clemência sem que, a própria defesa, em plenário do júri, tivesse feito o pedido de clemência ao Conselho de Sentença. Tal postura levou o Ministério Público a contestar, principalmente pela gravidade, sendo a ré irmã da vítima e, pelos relatos colhidos, sempre se dispunha, enquanto irmã mais velha, a ajudar a mesma. O que queremos é que pague pela crueldade planejada e executada que culminou na morte da senhora Quitéria, assassinada pelas costas, em ato covarde que teve acompanhamento e suporte in loco, pelo sobrinho e filho da ré, que à época confessou o crime e o motivo torpe”, afirma Vilas Boas.

Quitéria Pinheiro foi assassinada na noite de 12 de agosto de 2012, dentro da sua casa, no bairro Gruta de Lourdes, em Maceió, por Mustafá Rodrigues Nascimento, amigo de Exército de Klinger Pinheiro, 20 anos, ambos soldados. 

Sobrinho da vítima, Klinger confessou ao delegado Cícero Lima ter contratado Mustafá pelo valor de R$ 1.500 para matar a tia mais velha. A motivação, pelo apurado, de acordo com seu depoimento, seria o débito da sua mãe (que será julgada no próximo dia 9), no valor de R$ 5 mil, contraído junto à vítima.

Um outro amigo de Klinger Pinheiro, também do Exército, teria ido com os dois à casa de Quitéria, mas, segundo seu depoimento, não sabia que seria para matá-la, pois Klinger disse que precisava ir à casa da tia pegar umas roupas e estaria dentro do carro na hora dos disparos. Ele chegou a ser julgado, em outubro de 2016, mas foi considerado inocente e absolvido. 

Apesar da versão de Klinger, de que teria ido pagar o débito em cheques, a vítima se negar a receber e começar uma discussão que culminou na barbárie, a polícia apresentou a versão de que o grupo chegou à casa de Quitéria em um veículo EcoSport na cor preta, chamaram pela vítima, entraram e, no jardim, já aconteceram os disparos.

A polícia confirmou que a mãe de Klinger, Luciana Pinheiro, é a autora intelectual sendo o modus operandi (contratação do executor, chegada à casa e execução) montado por ele.

 

*Com Ascom MPAL