Se você acompanha notícias econômicas, já deve ter ouvido falar da Taxa Selic. Ela aparece sempre quando o assunto é inflação, financiamento, cartão de crédito ou investimentos. Mas afinal: o que é a Selic e como ela afeta a sua vida financeira?
O que é a Taxa Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central por meio do Comitê de Política Monetária (Copom). Vale lembrar que a definição as Selic se dá por meio de decisão colegiada, sendo Copom formado por 9 membros, entre servidores de carreira do Banco Central e de fora, todos indicados pelo Presidente da República, mas somente nomeados após sabatina e aprovação pelo Senado Federal.
Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, mantida nesse patamar pelo Banco Central para controlar a inflação.
Ela serve como referência para praticamente todos os juros do país, como empréstimos e financiamentos, cartão de crédito e cheque especial, rendimento de investimentos e o custo da dívida pública.
Ou seja: quando a Selic sobe ou cai, de uma forma ou de outra, o impacto chega rapidamente ao seu bolso.
Para que serve a Selic
O principal objetivo da Selic é controlar a inflação.
Quando a inflação está alta, o Banco Central aumenta a Selic; dessa forma, o crédito fica mais caro, o que tende a afetar o consumo, que tende a diminuir e assim, os preços tendem a desacelerar. Vale lembrar que o crédito mais caro também influencia nas decisões de investimento das empresas, ou seja, em momentos de Selic alta, as empresas tendem a postergar eventuais ampliações ou abertura de novos empreendimentos. É o que se chama na economia de política monetária contracionista.
Já quando a economia precisa crescer, a Selic tende a cair, deixando o crédito ficar mais barato, aumentando o consumo e os investimentos das empresas. Juros baixos são incentivos a comprar mais. Para essa situação, a economia classifica como política monetária expansionista.
Assim, a Selic é um instrumento de equilíbrio econômico.
Exemplos práticos com números atuais
Preparei para você alguns exemplos práticos para mostrar de maneira simplificada como a Selic pode afetar o seu dia a dia.
1. Investimentos em renda fixa
Com a Selic perto de 15% ao ano, aplicações atreladas ao CDI ou Tesouro Selic ficam mais atrativas. Investimento: R$ 10.000
- Rentabilidade próxima da Selic (≈15% ao ano)
- Ganho bruto aproximado em 12 meses: cerca de R$ 1.500 (antes de IR e taxas)
Isso explica por que períodos de juros altos favorecem a renda fixa.
2. Financiamento imobiliário
Se você pretende financiar um imóvel em momentos de Selic alta, como o banco precisou emitir LCI, por exemplo, oferecendo juros maiores a quem investe, o banco vai repassar esse custo, de forma que as parcelas do financiamento também ficam mais caras.
O contrário também passa a ser verdadeiro, ou seja, em momentos de Selic baixa, como o banco captou recursos pagando menos juros, as parcelas do financiamento tendem a ser menores, de forma que o crédito fica mais acessível.
Diferenças de poucos pontos percentuais podem significar dezenas de milhares de reais ao longo do financiamento.
3. Cartão de crédito e empréstimos
Embora o cartão tenha juros próprios (geralmente bem maiores), a Selic influencia o custo do dinheiro (da mesma forma que os financiamentos):
- Selic alta → bancos repassam custo → crédito mais caro.
- Selic baixa → crédito tende a baratear.
Por isso, ciclos de juros altos exigem ainda mais atenção com dívidas.
4. Impacto nos preços do dia a dia
Quando a Selic sobe, a compra de bens de consumo (carros, motocicletas, aparelhos de TV, ar condicionado, etc) desacelera; em geral, as empresas reajustam preços com menos frequência e com isso a inflação tende a cair.
Isso afeta ainda compras de supermercado, combustível, aluguel e serviços.
Assim, da próxima vez que você ler, ver ou ouvir algo sobre a a Taxa Selic, saiba que ela, em resumo, é importante para o seu dia a dia, pois:
- define o nível básico de juros do Brasil;
- influencia crédito, investimentos e inflação;
- impacta diretamente sua vida financeira.
Entender a Selic pode ajudar você a investir melhor, evitar endividamento caro e planejar o futuro com mais segurança.
Até a próxima.
Ricardo Rolim, CFP®
Planejador Financeiro e sócio da Pequod Investimentos.










