Chegamos em 2026, ano de eleições gerais para os cargos de Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador, Governador e Presidente da República. Considerando que esse ano os estados elegerão 2 senadores, o eleitor que vai às urnas em no 1º turno, em 04 de outubro, escolherá 6 candidatos.
E o que as eleições tem a ver com os investimentos? Muita coisa. Os anos eleitorais costumam trazer um ingrediente adicional aos mercados financeiros: incerteza. No Brasil, onde principalmente as eleições presidenciais costumam gerar debates intensos e mudanças relevantes de expectativas, esse cenário tende a se refletir diretamente no comportamento dos ativos financeiros.
Entender como esse ambiente influencia a rentabilidade dos investimentos é fundamental — mas ainda mais importante é lembrar que decisões financeiras não devem ser guiadas por convicções políticas, e sim por análise, estratégia e disciplina.
Mas por que anos eleitorais geram volatilidade?
Durante um ano eleitoral, os componentes do mercado financeiro tentam antecipar respostas para perguntas-chave:
- Qual será a orientação da política fiscal?
- O governo pretende gastar/investir em quais setores?
- Como será o controle da dívida pública?
- Como ficará a autonomia do Banco Central?
- O ambiente será mais ou menos favorável ao crescimento econômico?
Como essas respostas só se confirmam após o resultado das eleições e, muitas vezes, apenas com a implementação efetiva das políticas, os preços dos ativos passam a oscilar conforme pesquisas, discursos e percepções. Isso aumenta a volatilidade no curto prazo, especialmente em:
- Bolsa de valores
- Taxa de câmbio
- Juros futuros
Incerteza não é sinônimo de prejuízo!
É comum associar ano eleitoral a perdas, mas essa relação não é automática. Na prática:
- Volatilidade gera riscos, mas também oportunidades.
- Movimentos bruscos de preço nem sempre refletem fundamentos.
- Ativos descontados podem surgir em momentos de maior tensão.
Investidores que mantêm estratégia, diversificação e horizonte de longo prazo tendem a atravessar períodos eleitorais com menos impacto emocional e melhores resultados relativos!
E qual é o risco de misturar política com investimentos?
Um dos erros mais comuns em anos eleitorais é tomar decisões financeiras baseadas em preferências políticas. Comprar ou vender ativos motivado por afinidade ou rejeição a determinado candidato costuma levar a decisões impulsivas e pouco racionais.
O mercado financeiro reage (ou deveria reagir) a fatos, números, expectativas e credibilidade — não a opiniões pessoais. Quando o investidor permite que convicções políticas se sobreponham à análise técnica e fundamentalista, ele corre o risco de: sair de bons investimentos prematuramente, assumir riscos desnecessários, além de perder oportunidades por viés emocional.
Pragmatismo: um aliado do investidor.
Ser pragmático significa aceitar que os cenários mudam, os governos passam e os ciclos econômicos se alternam.
O investidor bem-sucedido entende que seu patrimônio precisa trabalhar independentemente do cenário político., e isso envolve: diversificação entre classes de ativos, exposição internacional quando adequada, foco em objetivos financeiros, não em manchetes, além de disciplina para seguir o plano mesmo em momentos de ruído.
Ao longo da história, o mercado brasileiro atravessou diferentes governos, ideologias e crises — e, ainda assim, investidores organizados e disciplinados conseguiram preservar e expandir seu patrimônio.
Mas como se preparar para investir em ano eleitoral?
Algumas atitudes ajudam a atravessar esse período com mais tranquilidade:
- revisar a alocação de ativos.
- garantir liquidez adequada para emergências.
- evitar decisões baseadas em notícias de curto prazo.
- reforçar o foco no médio e longo prazo.
Mais importante do que tentar prever o resultado da eleição é preparar a carteira para diferentes cenários.
Portanto, tenha em mente que anos eleitorais aumentam a incerteza, mas não anulam a lógica dos investimentos. O verdadeiro risco não está nas eleições em si, mas na forma como o investidor reage a elas.
Separar política de finanças, manter postura pragmática e seguir uma estratégia bem definida são atitudes essenciais para proteger e potencializar o patrimônio — independentemente de quem esteja no poder.
No fim das contas, convicções políticas fazem parte da cidadania; decisões financeiras exigem racionalidade.
Até a próxima.
Ricardo Rolim, CFP®
Planejador Financeiro e sócio da Pequod Investimentos.










