Janeiro é tradicionalmente o mês de recomeços. É quando muitas pessoas fazem planos, estabelecem metas e prometem cuidar melhor de si mesmas. 

Dentro desse contexto, surgiu em 2014 a campanha Janeiro Branco, que chama a atenção para a importância da saúde mental e emocional, incentivando o diálogo, a prevenção e o cuidado com a mente, assim como já acontece com campanhas conhecidas como o Outubro Rosa e o Novembro Azul.

Aproveitando a temática que abordo nesse espaço (finanças), gostaria, então, de te dizer uma coisa: a vida financeira tem um impacto direto e profundo sobre a saúde mental. A desorganização financeira, o endividamento excessivo e a falta de planejamento também são fontes de estresse, ansiedade e sofrimento emocional na vida adulta.

Problemas financeiros não se limitam aos números. Eles se manifestam em forma de:

  • Ansiedade constante
  • Dificuldade para dormir
  • Irritabilidade e conflitos familiares
  • Sensação de culpa ou fracasso
  • Queda de produtividade no trabalho

Quando as contas não fecham, o cartão de crédito estoura ou não existe reserva para emergências, o cérebro entra em estado permanente de alerta. Esse estresse contínuo pode evoluir para quadros mais graves, como ansiedade crônica e depressão.

Muitas pessoas acreditam que só quem ganha pouco sofre com dinheiro. Na prática, a falta de organização financeira afeta pessoas de todas as faixas de renda. Ganhar mais não significa, necessariamente, viver com tranquilidade.

A ausência de controle do orçamento, gastos por impulso, falta de planejamento e decisões financeiras baseadas na emoção criam um ciclo perigoso: mais desorganização → mais estresse → piores decisões → mais problemas financeiros.

Com o tempo, esse ciclo compromete não apenas a saúde mental, mas também relacionamentos familiares e profissionais, a autoestima e a qualidade de vida.

Assim, atrevo-me a te dizer: cuidar da saúde mental não envolve apenas terapia, descanso ou atividade física. Organizar as finanças é uma forma poderosa de autocuidado.

Algumas atitudes simples podem gerar grande impacto emocional:

  • Ter clareza de quanto ganha e quanto gasta
  • Criar um orçamento realista
  • Montar uma reserva de emergência
  • Planejar objetivos financeiros de curto, médio e longo prazo
  • Buscar informação e orientação antes de tomar decisões importantes

A sensação de controle financeiro reduz a ansiedade, melhora o sono e traz mais segurança para lidar com imprevistos.

Então, se o Janeiro Branco é um convite à reflexão sobre “como está sua saúde mental?”, considere que essa reflexão precisa incluir outra pergunta essencial: como está sua vida financeira?

Buscar equilíbrio financeiro não é apenas sobre acumular dinheiro, mas sobre viver com mais tranquilidade, clareza e liberdade emocional

Um planejamento financeiro bem feito não elimina todos os problemas, mas reduz significativamente o peso que eles exercem sobre a mente.

Neste início de ano, cuidar das finanças pode ser um dos passos mais importantes para cuidar da saúde mental — o ano todo, todos os anos.

 

Até a próxima.

 

Ricardo Rolim, CFP®

Planejador Financeiro e sócio da Pequod Investimentos.