Com a popularização das redes sociais, o acesso a conteúdos sobre dinheiro e investimentos nunca foi tão fácil. Basta alguns minutos no Instagram, YouTube ou TikTok para encontrar dicas sobre como investir, economizar ou “multiplicar” patrimônio. Nesse cenário, surge uma confusão cada vez mais comum: qual a diferença entre um planejador financeiro e um influencer de finanças?

Embora ambos falem sobre o mesmo tema — dinheiro —, seus papéis, responsabilidades e impactos na vida do investidor são profundamente distintos.

 

O papel do planejador financeiro

O planejador financeiro é o profissional que olha para a vida financeira do indivíduo de forma integrada e personalizada. Seu trabalho vai muito além de indicar investimentos.

Entre suas atribuições estão:

  • Analisar renda, despesas, patrimônio e endividamento;
  • Entender objetivos de curto, médio e longo prazo;
  • Avaliar perfil de risco, horizonte de tempo e necessidades de liquidez;
  • Estruturar estratégias financeiras e de investimentos coerentes com a realidade do cliente;
  • Ajudar no planejamento sucessório;
  • Acompanhar e ajustar o plano ao longo do tempo.

O foco do planejador não é o “produto da moda”, mas a sustentabilidade financeira. Ele trabalha com método, disciplina e visão de longo prazo, geralmente seguindo códigos de ética, boas práticas profissionais e, muitas vezes, certificações técnicas.

Em outras palavras, o planejador financeiro assume responsabilidade pelas orientações que oferece, pois sabe que decisões financeiras impactam diretamente a segurança, a tranquilidade e o futuro das pessoas.

 

O papel do influencer de finanças

O influencer de finanças, por sua vez, é essencialmente um produtor de conteúdo. Seu principal ativo é a audiência.

Ele pode:

  • Explicar conceitos financeiros de forma simples;
  • Comentar notícias econômicas e tendências de mercado;
  • Estimular hábitos positivos, como poupar e investir;
  • Tornar o tema dinheiro mais acessível à população.

Esse papel é relevante e, quando bem exercido, contribui para a educação financeira. No entanto, há limites claros.

O influencer fala para muitos ao mesmo tempo, sem conhecer a realidade individual de quem consome o conteúdo. Além disso, sua remuneração normalmente está ligada a engajamento, parcerias comerciais, publicidade ou venda de produtos, o que pode gerar conflitos entre conteúdo educativo e interesses comerciais.

Por isso, suas recomendações tendem a ser genéricas, e não personalizadas.

 

Informação não é decisão

O principal risco está em tratar conteúdo financeiro como se fosse planejamento financeiro.

Uma estratégia que funcionou para alguém nas redes sociais pode:

  • Não ser compatível com o perfil de risco do investidor;
  • Ignorar questões como impostos, liquidez e volatilidade;
  • Não considerar objetivos pessoais, familiares ou profissionais;
  • Gerar frustração ou prejuízos quando aplicada fora de contexto.

Conteúdo financeiro informa, mas não substitui análise individual. Planejamento financeiro exige diagnóstico, acompanhamento e responsabilidade.

 

Como usar cada um de forma inteligente?

Influencers de finanças podem — e devem — ser usados como fonte de aprendizado, inspiração e ampliação de repertório. Eles ajudam a despertar interesse e a democratizar o acesso à informação.

Já o planejador financeiro é o profissional indicado para transformar informação em decisão, alinhando escolhas financeiras à realidade e aos objetivos de cada pessoa.

 

Dessa forma, em um mundo cada vez mais ruidoso, diferenciar entretenimento financeiro de orientação profissional é essencial. Não se trata de escolher entre um ou outro, mas de entender o papel de cada um.

 

Informação sem contexto pode confundir. Planejamento com método constrói segurança.

E quando o assunto é dinheiro — que afeta diretamente a qualidade de vida —, responsabilidade sempre deve vir antes da promessa.

 

Até a próxima.

 

Ricardo Rolim, CFP®

Planejador Financeiro e sócio da Pequod Investimentos.