Não demorou para o Senado entender as razões de Rodrigo Cunha ao tumultuar a votação do projeto que incluía a taxação de compras internacionais de até 50 dólares. Num gesto visto por seus pares como tresloucado, o senador, como relator, mexeu no texto do projeto Mover, que trata da descarbonização dos carros, e retirou o ponto sobre a “taxa das blusinhas”. Ocorre que havia amplo acordo, incluindo governo e oposição.

Após a confusão instalada, se descobriu que os motivos de Cunha eram estritamente eleitorais. Como escrevi no texto anterior, ele tentou uma rasteira no deputado Arthur Lira, responsável pela costura do acordo que viabilizou a aprovação na Câmara e a confirmação posterior no Senado. Cunha usou um tema do parlamento – amarrado entre Legislativo e Executivo – para tirar vantagem pessoal. Parece que deu errado.

A jogada do rapaz durou 24 horas. O projeto Mover foi aprovado por 67 votos favoráveis e nenhum contra. De volta ao texto principal como destaque, a taxação de importados também foi aprovada, sem contagem de votos. Rodrigo Cunha fez questão de registrar que votou contra. Foi acompanhado por gente da qualidade de Eduardo Girão, Rogério Marinho, Flávio Bolsonaro, Cleitinho e outros que formam a banda podre do Senado.

Chamo atenção para um aspecto quase pedagógico. Esse episódio mostrou na prática a diferença que existe entre a elite do parlamento e o baixo clero. Integrante do segundo bloco, o senador Rodrigo Cunha foi triturado ao agir como se tivesse a estatura que não tem. Ninguém deu a menor bola para seu falatório. Para complicar, com a presepada que armou, saiu ainda mais irrelevante. Uma aula perfeita de como não fazer política.

O que sobrou para o senador após o vexame? O máximo que conseguiu foi reagir com esta bobagem: “Ficou a digital de quem realmente quer a taxação”. A declaração sem sentido mostra o jovem meio atordoado. A taxação ajuda o setor produtivo nacional. Se Cunha pretende usar seu voto contrário em campanha eleitoral, vai errar de novo. No mais, restou essa esquisitice de uma causa paroquiana bagunçando o Congresso.