Blog do Celio Gomes
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O tumulto na eleição indireta: centrão e bolsonaristas querem ganhar no grito

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Prédio da Assembleia Legislativa
Prédio da Assembleia Legislativa / Foto: divulgação

Em pleno ano de eleições gerais, Alagoas dá uma contribuição peculiar para o tumulto generalizado no país. Afinal, este é o Brasil de Bolsonaro, literalmente de cabeça pra baixo como as bandeiras nos prédios da orla de Maceió. Marcada para esta segunda-feira, a escolha de um governador-tampão será indireta, com o eleitorado restrito à Assembleia Legislativa. Ao que parece, está tudo nos conformes, dentro do que prevê a legislação que trata do tema. Sem governador e sem vice, um desembargador ocupa a cadeira interinamente, à espera do eleito pelo parlamento.

Se a disputa já não passa pelo eleitor, PSB e Progressistas afastaram ainda mais a eleição de perto da massa. As legendas mobilizam todos os talentos da advocacia alagoense para retardar o processo. Para isso foram bater nos tribunais superiores. Ou seja, querem ganhar no “tapetão” aquilo que, na origem, já é bastante discutível. 

A aliança entre esses dois partidos em Alagoas junta socialistas românticos com a nata do centrão. Toda essa turma está a serviço de Arthur Lira, hoje o deputado federal mais poderoso da República. Basta ver o prestígio do cacique junto aos cofres do governo Bolsonaro. 

A investida do grupo bolsonarista tem ainda a participação direta do senador Rodrigo Cunha, hoje um ilustre filiado ao União Brasil – um bunker que acolhe bandoleiros de todos os quadrantes. O entrosamento entre Cunha e Lira quase ocorreu em 2018. Eles se esforçaram, mas o jovem arapiraquense desistiu de disputar o governo naquela conjuntura. Agora finalmente se acertaram.

As confusões na eleição indireta antecipam o tom e o nível da campanha para as urnas de outubro. Por enquanto, pelas redes sociais, dá pra ver uma mostra do que vem por aí. O que os envolvidos andam escrevendo, com “elogios” a um e outro, atesta que os princípios republicanos estarão no centro dos debates.

(A segunda-feira começou, avançou para o meio do dia, os ponteiros seguem girando sem parar, e nada de eleição na Assembleia. Pode ser amanhã. Pode não ser. O impasse político e jurídico continua. Ao menos por agora, está do jeitinho que interessa à turma de Arthur Lira, Davi Maia e Rodrigo Cunha).

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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