Justiça concede liberdade provisória a gari baleado em operação da PM

Gabriela Borba*|
Foto: Reprodução/Instagram

Nesta sexta-feira (28), a justiça revogou a prisão preventiva do gari Walquides Santos da Silva, de 26 anos. A decisão foi decretada pelo juiz Antônio José Bittencourt Araújo.  

Walquides foi baleado no intestino durante operação da polícia militar, na Vila Emater, no bairro de Jacarecica. Ele está internado no Hospital Geral do Estado (HGE) e se recupera de uma cirurgia. Após a decisão de liberdade provisória, o gari retornará para sua residência quando receber alta médica.  

Em sua decisão, o juiz Antônio José Bittencourt considera não há evidências suficientes, até o momento, de o gari ser traficante de drogas, crime pelo qual foi acusado e preso preventivamente no último dia 13. "Verifico que, no caso concreto, além das condições pessoais favoráveis do indiciado, as circunstâncias da sua prisão não justificam a manutenção da prisão preventiva decretada em seu desfavor por tempo prolongado, posto que restam dúvidas consistentes acerca da autoria delitiva", pontua o juiz.  

O magistrado destaca, ainda, que o indiciado possui endereço e emprego definidos, além de não demonstrar fornecer riscos ao andamento processual, tampouco à ordem pública.

O juiz também determina que o gari compareça a cada três meses em juízo, está proíbido de frequentar bares, boates, prostíbulos e similares e que não se ausente da Comarca sem prévia autorização judicial.  

Também nesta sexta-feira, o Ministério Público instaurou um procedimento para apurar a suposta conduta ilegal que teria sido praticada por policiais militares contra o gari. A 62ª Promotoria de Justiça da capital também requisitou abertura de sindicância à Corregedoria da Polícia Militar.

“Os parentes alegam que a vítima foi confundida com um traficante e que fora baleada quando estava retornando para a sua residência, após voltar da UPA mais próxima de sua casa, por desconfiar que estivesse com Covid-19. Diante disso, instauramos um procedimento para que o fato possa ser melhor apurado. Precisamos saber se houve ou não truculência e violência policial”, afirmou o promotor de Justiça Magno Alexandre Moura.

*Estagiária sob supervisão da editoria

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