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Servidor que teve celular arrancado das mãos diz que a política em Arapiraca é feita na base do 'chicote'

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Ademir Roque
Ademir Roque / Arquivo pessoal

Por meio de nota, o servidor público Ademir Roque esclareceu os fatos registrados, no início da semana, em pleno Centro Administrativo de Arapiraca, quando teve seu celular arrancado das mãos e jogado ao chão pelo secretário-executivo municipal Vytor Ferro. A confusão ocorreu na última terça-feira (20), após ele ter gravado imagens sobre a falta de álcool em gel para uso em geral. Ademir diz que a política é feita pela gestão na base do ‘chicote’.  

Segundo Ademir, a investida do secretário se deu após ele perceber que estava sendo gravado um vídeo, num dos corredores do Centro Administrativo, mostrando a falta de álcool em gel para higienização das mãos de servidores e contribuintes do serviço público municipal. Imagens gravadas pelo próprio servidor circularam nas redes sociais e foi possível ver a aproximação do secretário e na sequencia a filmagem para. 

Na nota, Ademir conta o que o levou a pedir sua exoneração da secretaria de Estado de Assistência Social, que fora citado logo após a divulgação das imagens do bate-boca na prefeitura de Arapiraca. Ele se defende afirmando que não “planta situações” e que seu trabalho tem como objetivo alertar aos responsáveis para que o problema seja resolvido. 

 

NOTA NA ÍNTEGRA 

Com relação ao lamentável episódio ocorrido na última terça-feira (20), envolvendo a minha pessoa e o secretário Executivo da Prefeitura de Arapiraca, o Sr. Vytor Ferro, venho esclarecer o seguinte:

Há doze anos exerço um trabalho de fiscalizador, em que a minha principal ferramenta de trabalho é um aparelho celular. Com ele registro e publico nas minhas redes os principais problemas vivenciados pela população da minha cidade, sejam buracos nas ruas, esgotos a céu aberto, precariedade nos serviços públicos, falta de iluminação pública, entre outros.

Estes registros geralmente são reivindicados pela população, que sofre diariamente com os descasos do poder público, sejam eles de responsabilidade das esferas municipal, estadual ou federal. Da mesma forma que faço as denúncias, também volto ao local para registrar o atendimento da reivindicação, desde que ela seja solucionada. 

E assim ocorreu na última terça-feira (20) na sede da Prefeitura de Arapiraca. Dias antes, servidores haviam me procurado para denunciar que, em plena pandemia, os dispensadores de álcool em gel do prédio estariam vazios e, alguns deles, quebrados. 

Como de praxe, fui até o local e iniciei o registro da situação, quando o meu direito como cidadão e como repórter foi cerceado pelo secretário executivo da gestão, o Sr. Vytor Ferro, que, de acordo com imagens amplamente divulgadas, se aproximou de mim em tom ameaçador, tomou o meu celular e o arremessou contra a parede, vindo a danificar o visor do aparelho.

Como se já não bastasse, o Sr. secretário utilizou veículos de imprensa para divulgar que eu estaria no local a serviço da Secretaria de Estado da Assistência Social (Seades), onde eu estava lotado há cerca de quinze dias apenas.

Volto a dizer que faço este trabalho há doze anos. Quem me conhece sabe que não sou de “plantar” situações. Registro o que é fato e o que não funciona direito, com apenas um objetivo: alertar aos responsáveis para que o problema seja resolvido. 

Diante de tamanho constrangimento sofrido pela minha pessoa, mas principalmente por terem citado injustamente uma suposta ligação com a secretaria na qual eu fazia parte, tomei a difícil decisão de pedir exoneração do cargo, cuja portaria deverá ser publicada nos próximos dias no Diário Oficial do Estado (DOE).

Quero reiterar que a secretária Fabiana Pessoa, titular da pasta, não tem nenhum envolvimento com o fato ocorrido. Seu trabalho à frente da Secretaria vem sendo realizado de forma competente e honesta, sempre voltado aos mais necessitados.

O constrangimento e agressão sofridos por mim é lamentável nos dias de hoje. Isso é coisa de pessoas mesquinhas, que fazem política de forma vertical, na base do chicote e da tabica. Arapiraca não merece isso, o povo de Arapiraca não merece isso.

Quero dizer ao Sr. secretário e a quem interessar, que continuarei meu trabalho fiscalizador em Arapiraca. Não me abalo com ameaças, intimidações ou agressões. Continuarei firme dando a minha contribuição em busca de uma Arapiraca melhor, onde as pessoas possam viver bem e, principalmente, sem perder o direito de ir e vir e da livre expressão.

Ademir Roque

 

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