Trabalho do Carvalho
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“A Páscoa e o lockdown de Moisés” Pragas do Egito e a COVID-19 no Brasil

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Anda tão complicado falar de amor, esperança e Páscoa durante uma pandemia que ceifou a vida de mais de 350 mil brasileiros. É difícil celebrar a ressurreição no meio de tanta omissão, fake news, intolerância e ódio. Mais de 2 mil anos depois e a humanidade teima em ficar repetindo os mesmos erros. 

Aliás, bem antes disso, nos tempos de Moisés, a humanidade já convivia com pragas, governos autoritários e genocídios. Conhecida como a Páscoa Judaica, a Pessach, celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egito e está registrada na Bíblia. 

O Faraó era um cara bem bruto, sem mimimi. Era Egito acima de tudo e Rá acima de todos. Ele não fraquejava para esse negócio de direitos humanos. Muito preocupado com a economia, era defensor de que muitos direitos trabalhistas diminuíam a quantidade de emprego, motivo pelo qual reduziu o povo hebreu a escravo. Afinal de contas, a construção de pirâmides era uma atividade essencial.

Moisés ficou pistola com a situação. Até tentou negociar, mas não conseguiu frente ao verdadeiro genocídio de seu povo. Então, partiu pra cima na mais tradicional política do dente por dente, olho por olho, e pediu para Deus dar uma força. Como na época não tinha vírus, não tinha COVID-19, a guerra foi com as pragas que existiam na antiguidade egípcia: rãs, piolhos, mosquitos, moscas, gafanhotos...

Mas o Faraó, insensível a toda essa dor, menosprezava as pragas, chamando todas de gripezinha, mandando os egípcios pararem de choramingar e se preocuparem com a economia, com sua condição de escravos, porque, afinal, estava difícil para o patrão. 

Foi aí que Moisés decretou o lockdown hebreu: mandou todo seu povo ficar em casa, mantendo o distanciamento social. Foi duramente criticado, inclusive por ter determinado que os hebreus passassem sangue de carneiro nas ombreiras das portas.

Seu povo só entendeu o motivo de ficar em casa quando descobriu, no dia seguinte, que todos aqueles que não tinham cumprido o decreto perderam a vida de seus primogênitos, inclusive o faraó. Ele até que tentou uma vaga na UTI para seu filho, mas não havia leitos por causa do total colapso do sistema de saúde.

Uma distância milenar separa o Brasil das pirâmides, mas vale a pena ler a Bíblia durante a Páscoa ou a Pessach, que em hebraico significa “passar por cima ou passar sobre”.

Feliz Páscoa. Fique em casa, porque tudo isso há de passar.

SOBRE O AUTOR

Leandro Carvalho, Auditor Fiscal do Trabalho, pós gradraduado em auditoria, formação em Direito Laboral e Economia.

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