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Do DNA das meninas alagoanas à necessária profissionalização do futebol feminino em Alagoas

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A seleção brasileira de futebol feminino fez sua estreia no Torneio She Believes, nesta quinta (18/02), com uma vitória expressiva: 4x1. As responsáveis pelo primeiro e último gol do jogo foram duas alagoanas. O primeiro, foi da nossa Rainha Marta, do município de Dois Riachos, no final do primeiro tempo. O segundo, foi da princesa Geyse Ferreira, de Maragogi, no final do segundo tempo - um gol muito especial, o primeiro de Geyse pela Seleção principal. 

Nossa Rainha Marta tem seu currículo bem divulgado, 6 vezes eleita como a melhor jogadora do mundo, com inúmeros títulos, responsável por desbravar caminhos para outras mulheres, atualmente atua nos EUA pelo Orlando Pride. Geyse, conhecida como "Pretinha" nas bandas de cá, foi revelada pelo União Desportiva Alagoana-UDA, já foi campeã sulamericana pela Seleção sub 20, atualmente joga na Espanha no Madrid Club. 

O jogo de ontem foi histórico para o futebol feminino alagoano, pena não termos visto o confete necessário nos noticiários locais. A atuação da Marta, no nível da sua coroa; o gol da Pretinha, um golaço! 

Uma das vocações que Alagoas tem, é de gerar talentos no futebol feminino, espalhados do sertão ao litoral. À altura do DNA das meninas alagoanas, precisamos projetar uma rede que valorize e promova as meninas que mandam ver com a bola no pé. No campo, na quadra, na areia... do setor público ao privado, as ações precisam estar articuladas. 

Muito se cobra do poder público, corretamente, mas não é suficiente para a guinada que o futebol feminino precisa dar, por mais que os Governos dos Municípios e dos Estados promovam políticas públicas através de programas sociais, competições, distribuição de materiais... o futebol (como as demais modalidades esportivas) é regulamentado e se desenvolve por instituições privadas. Na seara profissional, sob o comando da Confederação Brasileira de Futebol-CBF e das federações estaduais, no nosso caso, a Federação Alagoana de Futebol-FAF. No universo amador, através de outras federações, associações, ligas, grupos não formais. 

É fundamental atingir a profissionalização do futebol feminino para que a sua valorização ocorra de fato. Para isso, precisamos instigar a sociedade, criar o clima que estimule os empresários que agenciam meninos, para que passem a olhar também para o talento das meninas; que os Clubes que desenvolvem o futebol masculino de forma profissional, montem equipes femininas; que as empresas que patrocinam clubes masculinos, promovam apoios para os times femininos. 

Neste 19 de fevereiro, Dia do(a) Esportista e aniversário da nossa Rainha Marta, que a celebração da data ocorra gestando a disposição para atuarmos e lutarmos para reparar a injustiça história de termos tanta desigualdade no futebol, entre homens e mulheres. As meninas merecem muito mais!

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