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Rosana Dias, no “Alagoanas da Imagem”, fala sobre o fazer artístico feminino no audiovisual

Texto: Lourdes Rizzatto|

 

Foto: arquivo pessoal Rosana Dias

A produtora cultural e feminista Rosana Dias apresentou, na terça (11), no webinário “Alagoanas da Imagem”, a produção feminina no cinema mundial, nacional e alagoano com ênfase a trabalhos realizados em Arapiraca. Com uma trajetória de oito anos de intensa produção nas artes visuais, literatura, audiovisual, música e teatro na unidade Sesc Arapiraca, e com experiência em edital do audiovisual na capital do agreste, Rosana é, atualmente, uma das fortes representantes do engajamento feminino na cultura em Alagoas.

No webinário, que é uma realização do site Alagoar em parceria com a Curadoria do Ser, Rosana Dias teceu um breve histórico com recortes de nomes importantes e obras que são marcas do fazer feminino ao longo de décadas no cinema mundial e nacional, no cinema lésbico e no cinema negro.  De Alice Guy, primeira diretora de cinema do mundo, a cineastas belgas como Agnès Varda e Chantal Akerman (Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles, de 1975), além de diretoras de várias nacionalidades como a cineasta ítalo-norte-americana Sofia Coppola (Encontros e Desencontros).

As referências nacionais também se fizeram presente com Cléo Verberena (O mistério do Dominó preto/1930) a Carmen Santos (O ébrio/1946), ao cinema lésbico de Laine Milan (Alumbramentos/2002), Patrícia Galucci e Victor Nascimento (Irene/2011), Hylnara Anny Vidal      (Arianas/2015). Já no cinema negro Rosana deu destaque a Adélia Sampaio (Denúncia Vazada e Adulto não brinca, ambos de 1979), Lilian Solá Santiago (Balé de pé no Chão/2005 e Mulheres bordadas/2015), Juliana Vicente (Cores e botas/2010 e As minas do rap/2015), Viviane Ferreira (O dia de Jerusa/2014), e vários outras personagens, além de coletivos que apresentam o vasto universo de obras de mulheres contemporâneas realizadoras.

Em sua narrativa, Rosana também reforçou a importância da mulher negra na produção cinematográfica, seja como protagonista, diretora, roteirista ou atuando nas diversas áreas técnicas e exemplifica com a “Afroflix”, onde a presença feminina negra é obrigatória para a disponibilização dos filmes na plataforma. 

Ao dar ênfase a importância de assistir e compartilhar nas redes sociais os filmes do cinema lésbico, negro feminino, bem como as produções ou mesmo filmes que contam com a participação de mulheres alagoanas, Rosana faz uma provocação junto aos (as) participantes do webinário pela ampliação da divulgação desse olhar cinematográfico, suas influências e sua trajetória histórica, até então não muito conhecida do público cinéfilo.

Um belo recorte de alagoanas também caminha neste fazer artístico com as participações de Mel Vasconcelos (Geração Z Rural), Maria do Carmo Silva Ferreira (Infância no Sertão), Arilene de Castro (direção em O Juremeiro de Xang, e produções em Areias que falam e em Parteiras), Zezinha Dias (As ilhas da minha vida), Regina Celi Barbosa (DJ do Agreste).

Já a produção do audiovisual no interior de Alagoas Rosana Dias dá destaque às oficinas de cinema realizadas no Sesc Arapiraca no período entre 2012 e 2019, e ações realizadas também pelo Sesc Arapiraca em municípios vizinhos com apresentações de filmes em espaços abertos ao público, oficinas de animação voltadas ao público infantil e Mostras de Cinema. E, como não poderia faltar, a realização do Cine+ Arapiraca com o edital Paulo Lourenço (2019) da prefeitura de Arapiraca em parceria com a Agência Nacional de Cinema (Ancine).

O histórico das oficinas de cinema realizadas pelo Sesc Arapiraca aliadas com o exercício do fazer artístico através da direção coletiva é apresentado, por Rosana, de modo a enriquecer ainda mais a trajetória feminina na produção audiovisual em Arapiraca. Sem sombra de dúvidas, atrevo-me a dizer que o documentário Salão dos Artistas (2012) foi a semente plantada e que o documentário Metrópole do Futuro (2015) foi o primeiro fruto colhido. Mas, o documentário Ana Terra (2019) foi o marco para produção cinematográfica feminina no interior de Alagoas. 

Marco, não apenas pela crescente participação da mulher do interior no audiovisual ao longo dos anos, mas também pela presença feminina de Wélliman Kelly ministrando a oficina de cinema ao lado de Leandro Alves e Wagno Godez. Marco pela intensa história de Ana Terra, uma forte protagonista que deu título ao trabalho e pela força da direção coletiva, o que possibilitou inúmeros aprendizados. 

Outro diferencial aconteceu devido há um mergulho na produção, roteirização e nas diversas áreas técnicas do filme, o que abriu um leque motivador para a participação feminina em trabalhos futuros. Porém, fica explícito de forma indiscutível na narrativa de Rosana Dias que a forte presença do Serviço Social do Comércio – Sesc, no Agreste, foi um divisor de águas para o despertar dos cinéfilos do interior. 

As Mostras Sesc de Cinema voltadas às escolas, além das Mostras Navi (Núcleo do Audiovisual de Arapiraca), Mostra Varilux de Cinema, Mostra do Minuto e tantos outros eventos voltados ao audiovisual provocaram esse despertar em um público de faixas etárias variadas e, principalmente, nas mulheres. 

O filme “Segunda Feira” (2016), que nasceu do olhar urbanístico de alunos do curso de arquitetura do campus da Universidade Federal de Alagoas, em Arapiraca, sobre  a“nova feira livre do município” reordenada em ruas próximas ao Mercado Público Municipal, pode ser considerado um exemplo real do reflexo do “ressoar” do audiovisual na região agreste e de mais uma participação de direção coletiva onde a presença feminina predominou  com a participação de  Olga Francino, Iasmyn Sales, Camila Alves e Leandro Alves.

Rosana Dias finaliza enfatizando a participação significativa de mulheres na direção coletiva, seja só entre mulheres ou com a participação masculina, no edital Paulo Lourenço lançado pela prefeitura de Arapiraca em parceria com a Ancine com recursos de R$1.050.000,00. Entre elas estão Wellima Kelly (Menino Boiadeiro), Isadora Magalhães e Isabela (O Canto), Dayane Teles (De Dentro de Mim),  Anna Kelmany (Pau D´Arco, árvore que se renova), Rosana Dias (Entranhas), Gabriela Araújo (Palestina). 

Assim como a história e a “rica” participação das mulheres no audiovisual do agreste alagoano estão diretamente ligadas às oficinas de cinema ministradas no Sesc Arapiraca por Leandro Alves, Raphael Barbosa, Wagno Godez e Wellima Kelly, há também algo tão importante que não pode ser deixado de lado: a contribuição decisiva de Larissa Lisboa e de Rosana Dias para que essa história fosse escrita. Aqui o Click Due deixa o nosso respeito e admiração ao trabalho incansável realizado por ambas na produção cultural do audiovisual do Sesc Alagoas e do Sesc Arapiraca.  

 

 

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Blog sobre cultura e entretenimento em Arapiraca

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