Foto: Cortesia ao CadaMinuto
Alynne Acioli

Após quatro meses de decretada a pandemia do novo coronavírus, a vida segue baseada em readaptações para milhares de trabalhadores no mundo inteiro. As mudanças trazem, como consequências, dúvidas e desdobramentos físicos e psíquicos relacionados a uma nova organização da rotina.

Para aprofundar a questão da saúde mental do trabalhador no novo contexto social, o CadaMinuto conversou com a psicóloga Alynne Acioli Santos. Ela explica que a sobrecarga emocional se dá, sobretudo, pela maneira como a realidade é interpretada, e que a sensação de ameaça deixa a mente em constante estado de alerta.

“Algumas pessoas vão entender que a ameaça existe, mas que também há uma série de cuidados para evitá-la; outras vão se sentir mais fragilizadas, porque, diante de riscos maiores de contato com o vírus, o estado de alerta vai permanecer durante muito tempo, causando uma intensidade emocional profunda”, esclarece a psicóloga.

Desde o início da quarentena, em março deste ano, muitas empresas estabeleceram o sistema de home office, permitindo que os funcionários exerçam suas funções de casa; enquanto isso, trabalhadores essenciais e autônomos, cuja natureza do ofício não permite a adaptação para trabalho remoto, continuaram frequentando espaços e tendo interações interpessoais de alto risco de contágio.

Acioli destaca que os dois ambientes trazem desafios distintos. Quem está em casa, tem o desafio de precisar conciliar a rotina profissional com as demandas familiares: administrar os estudos e o lazer dos filhos, cuidar da limpeza da casa com mais frequência, entre outras responsabilidades. Já quem precisa sair para trabalhar, enfrenta o receio de contrair o vírus mais facilmente e de ser um agente transmissor.

Em meio a esse cenário, as empresas têm um papel importante com os seus colaboradores, independentemente se eles ainda estão em atuação, em home office ou com as atividades suspensas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o cuidado com o excesso de informações não confiáveis – as fake news –, o incentivo à prática de atividades físicas em casa e a reorganização de atividades diárias são indicações que podem ser feitas aos funcionários.

Ao ser questionada se consegue sentir-se segura por estar trabalhando em contato próximo com várias pessoas diferentes por dia, Helô Araújo, barbeira que atua em Maceió, afirma que em parte. “Vamos ter riscos em todos os lugares, mas me preocupo em sempre usar o equipamento de proteção individual no trabalho, e quando chego em casa mantenho a rotina de higienização”, relata.

“Nesse momento, as empresas estão lidando com problemas econômicos, mas é fundamental que estejam atentas às condições psicológicas dos seus funcionários. Muito dificilmente irão se recuperar ou se manter se as pessoas não estiverem saudáveis, para trabalhar bem. Então, desenvolver a capacidade dos gestores de observar os trabalhadores como indivíduos, e não como recursos, é algo que vai fazer muita diferença”, concluiu Alynne Acioli.

 

*Estagiário, sob supervisão da editoria