Foto: Gustavo Sarmento
Maria Tavares, pré-candidata

A pandemia causada pelo novo coronavírus pegou a todos de surpresa e obrigou muitos a mudarem de planos. Na política, não foi diferente. As eleições tiveram a data alterada e devem mudar também de estilo.  O famoso corpo a corpo vai precisar ser reduzido, e os pré-candidatos já buscam novas formas de chegar ao povo. 

Com a nova realidade, o meio digital tem ganhado força na campanha política. 

O Cada Minuto conversou com alguns pré-candidatos que contaram como eles estão se preparando para esse novo momento e como eles avaliam a eleição deste ano.

Pré-candidatos a vereadores

Para o pré-candidato a vereador de Maceió Aldo Loureiro (PP), a pandemia apresentou um novo universo para estudar, trabalhar, e viver. Segundo ele, a campanha para esse ano não será diferente. “Ao invés do corpo a corpo vamos usar a internet para nos apresentar e apresentar nossas propostas”.

Para Aldo, ainda em 2018, as eleições já mostraram o poder que as mídias têm. “Eu estou me inteirando para a cada dia para fazer parte desse novo momento da política”.

Aldo Loureiro 

O universo digital para a pré-candidata a vereadora de Maceió Maria Tavares (PSDB) não é novo. Maria já conhecia o poder das redes sociais por causa da última campanha, em 2018. “Minha campanha ia ser 100% digital”, disse. Entretanto, Maria teve que mudar um pouco a estratégia. 

Só que mesmo sabendo que as redes sociais são ótimas ferramentas, Maria lembra que as classes mais baixas não possuem esse acesso. “Essas pessoas ainda precisam do papel para levar pra urna. Então na minha campanha em 2018, eu tive uma doação e eu consegui imprimir alguns santinhos e adesivos de carro. Mas isso foi no meio da campanha. Ela era 100% digital”, contou.

Segundo Maria, a última eleição exigia que as pessoas soubessem os números de cinco candidatos e muitos eleitores que eram menos esclarecidos, tinham dificuldade para votar sem o auxílio do papel. “Os meus apoiadores sentiam falta de ter um adesivo no carro. Foi uma série de circunstâncias que me levou a tirar o 100% digital para ir para o papel”. 

A pré-candidata disse que vê como positiva a eleição deste ano acontecer de forma online. “É um meio e plataforma que eu gosto e que me comunico bem. Não me assusta ser digital porque estou acostumada por causa da outra campanha”. 

Por outro lado, ela disse que está assustada com a circunstância que atualmente estamos vivenciando já que a pandemia trouxe uma crise financeira. “Muitas pessoas estão passando por dificuldade financeira e a eleição sempre foi um ponto crítico nessa questão financeira. Muitos candidatos fazem cadastros e compram votos. Então o cenário é favorável para compra de votos e isso me deixa apreensiva. Eu não ter o contato pessoal com o eleitor deixa tudo mais vulnerável”, explicou.

Tavares ainda reforçou que as classes menos favorecidas podem ter problemas porque não conhecem o candidato pessoalmente. “Ainda acho que eles vão ter dificuldade de creditar o voto naquela pessoa que eles nunca viram”.

Pré-candidata à Prefeitura de Atalaia, Cecília Rocha (PSC) e a vice Camyla Brasil falaram ao Cada Minuto como elas estão se preparando para a eleição. Segundo elas, o propósito de ambas é servir e ouvir a população. “Atalaia é grande e é importante sentir cada região para que no momento de campanha possamos visitar e adentrar cada lugar. Não há uma preparação específica”, disseram.

Para as duas, nada substitui o abraço e nem o aperto de mão. “Nada substitui o contato físico, mas com o cenário atual, o digital é um grande aliado que atinge todos os locais e lugares. Com ele conseguimos propagar as nossas ideias e objetivos”. 

Cecília e Camyla enxergam a campanha como atípica, mas acreditam que será um ano de mudança e renovação. “Um ano em que as pessoas vão verdadeiramente querer sair de casa para realizar a mudança e em busca de dias melhores”.

Ceci Rocha e Camyla Brasil

Especialista alerta para cuidados nas redes sociais 

A especialista em oratória e marketing digital, Meline Lopes, explicou que as redes sociais podem ser aliadas na hora do candidato fazer a campanha. Entretanto, a especialista disse que ao mesmo tempo, elas podem ser um “grande tiro no pé”. 

Meline Lopes, Especialista em oratória e marketing digital

“Muitas pessoas acham que não precisam se preocupar com algumas coisas do cotidiano porque é uma rede pessoal. Mas as redes sociais não têm memória curta. Muitos youtubers, por exemplo, postaram algumas coisas nos stories que não foram positivas e perderam contas, clientes. As pessoas printam as telas, salvam vídeos. Então, vejo que muitas pessoas esquecem que a rede social não é extensão da nossa casa e isso pode representar um tiro no pé se elas não forem usadas de maneira cuidadosa”.

A especialista disse que é preciso que as pessoas se posicionem como aquilo que desejam passar profissionalmente. “É preciso que utilizem das redes sociais para se posicionar como gostariam que as pessoas a comprassem profissionalmente. “Antigamente as pessoas levavam tempo para serem conhecidas. As redes sociais diminuíram esse tempo. Muitas pessoas criam um Instagram, começam a publicar e constroem uma carreira a partir da autoridade nas redes sociais. Conheço pessoas que já foram chamadas para entrar na política por causa da autoridade nas redes sociais”.

Porém, Meline disse que é preciso ter cuidado com o que se posta e comenta. “É preciso entender como nos posicionamos. O que se publica agora pode ser salvo para posteridade. É preciso pensar se aquele post, por exemplo, agrega em algo. Estou ofendendo alguém? É preciso pensar duas vezes antes de colocar algo. É melhor evitar o conflito”.

A especialista também disse além das redes sociais, os pré-candidatos precisam perceber quão a importância de um bom discurso. “Nós temos exemplos de grandes oradores na política. A oratória é uma arma poderosa. Tenho atendido vários pré-candidatos que estão buscando aprender a falar bem porque as técnicas de oratória põe esse candidato à frente dos concorrentes”.

Por fim, Meline disse vídeos engajam e que os discursos podem ser feitos através das redes sociais. “O medo de falar em público supera o medo da morte, mostram as pesquisas. Então é necessário que as pessoas que querem entrar na política trabalhem a oratória também, já que através de discursos elas podem convencer o eleitor”.