Diversos setores do comércio direto e indireto foram afetados pela crise do novo coronavírus, o Covid-19, com isso, o mercado de eventos poderá registrar um dos maiores prejuízos financeiros da história. 

Sem a menor possibilidade de negócios à distância ou de realizar a simples entrega por delivery, como alguns serviços tem adotado, empresários que movimentam e realizam festas, shows e eventos na capital alagoana estão de braços cruzados e nem possuem a expectativa de quando podem voltar a trabalhar com segurança. 

Prejuízos somam R$ 290 milhões em todo Brasil

Um censo realizado pela Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), aponta que 51,9% dos eventos previstos para ocorrerem este ano foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta. 

Ainda segundo dados da pesquisa, é que 92% das empresas associadas já relataram prejuízos que, juntos, somam R$ 290 milhões. A entidade estima ainda que esse número possa chegar à casa dos bilhões se somada toda a cadeia produtiva do setor de eventos, que envolve em torno de 60 mil empresas. 

O prejuízo frustrou as boas expectativas desse mercado para 2020, que estimava um aumento de receitas em shows e eventos de 6,15% em relação ao ano passado. 

”A incerteza é a única certeza”, diz empresário da Celebration Entretenimento

No setor de eventos há mais de dez anos, o empresário Sérgio Feitosa, da Celebration Entretenimento, relatou em entrevista ao CadaMinuto que a incerteza tem sido a companhia para quem vive de eventos durante toda essa quarentena e destacou que apesar de alguns especialistas afirmarem que em meados do final do mês de maio tudo isso vá passar ainda restam alguns questionamentos. “Até quando tudo isso vai durar e como vai ser o cenário de pós-pandemia?”, questionou. 

O empresário contou que alguns eventos promovidos pelo Celebration foram remarcados e outros infelizmente foram cancelados. “Remarcamos o TBT do Safadão e o Samba Alagoas, que já estavam com boa parte dos ingressos vendidos, mas além destes, outros três eventos que estavam programados, mas não estavam sendo anunciados acabaram sendo cancelados. Já havia contratação, mas com o surgimento da pandemia os eventos acabaram sendo cancelados”, disse Sérgio Feitosa.

Questionado se o cancelamento de shows estaria proporcionando custos ou multas aos contratantes o empresário disse que está havendo um entendimento muito positivo de mercado por parte dos envolvidos, para que não venham se gerar custos extras.   

“No nosso mercado existem muito trabalhadores informais, aqueles que são contratados apenas para trabalhar naquele dia do evento, só no final do ano são mais de duas mil pessoas que trabalham no evento, e são esses profissionais informais que mais sofrem”, defendeu Feitosa. 

Sobre o pós-pandemia, o empresário pontuou que ainda haverá um certo intervalo para que tudo possa voltar ao normal em seu ramo. “Não é acabou a pandemia e vai ter um evento, é preciso haver programação, planejamento, divulgação, então com isso, todo o meu planejamento do ano de 2020 foi comprometido”. 

“Se for preciso recomeçar temos muita fé para enfrentar o que está vindo pela frente”, diz empresária

Para empresária Rosa Buarque, proprietária do Buffet Primícias, o prejuízo financeiro pode atingir 100%, mas a fé e a confiança em dias melhores são os principais pilares de sua luta contra a crise que o mundo enfrenta. “Acreditando que é só uma fase e que tudo isso vai passar, mas dizer para você que está sendo fácil seria uma hipocrisia”, disse.  

A empresária que também trabalha com festas e eventos disse que não teve eventos cancelados, mas sim remarcados para o segundo semestre, já aqueles que estavam em fase de negociação, acabaram sendo cancelados. 

Ela destacou ainda que tem feito esforços para que possa manter os seus funcionários. “Os fixos, da cozinha e do administrativo tiveram suas férias antecipadas, mas infelizmente já tive que demitir dois”. 

Ainda segundo Rosa, as férias estão chegando ao fim e agora a empresa busca se readaptar para que não possam dispensar mais funcionários. “As férias já estão vencendo e já estamos estudando a possibilidade de reinventar um novo formato para que o nosso Buffet não venha parar por completo e com isso estamos pretendendo iniciar os trabalhos agora com o serviço de delivery”, contou. 

Rosa disse ainda que são quase trinta dias fechados, sem novos contratos e que os contratos antigos pararam de pagar, pois não há previsão das festas acontecer. “Tem finais de semana que eu chego a contratar mais de 50 pessoas por festas, eu paro de proporcionar empregos e também acabo tendo outros prejuízos”, lamentou. 

*Sob supervisão da editoria