Olá, pensadores!
Qualquer estudante mininamente atento à realidade saberá o que, realmente, simboliza o 7 de setembro e o desfile armamentista que o Estado faz questão de levar às ruas: é uma marca da dominação, do poder que detém, tanto para manter a ordem interna, quanto para garantir a soberania perante as outras nações.
Recentemente, em uma discussão numa rede social, com um internauta, aprofundamos a discussão sobre esta simbologia - a da parada militar do 7 de setembro - e também da própria existência do militarismo e dos militares. Para mim, que sou militar, a coisa é mais prática: nada de paixão, nada de amor, nada de alienação. No máximo, a necessidade de sobreviver, de ter seu lar, de alimentar seus filhos, aliado ao dever a uma lei - aprovada pelo POVO, ou seja, pelos civis, que me força a ter obediência e disciplina, sob pena de responder com minha própria liberdade.
Para o internauta, com sua visão ampla e sociológica, a questão era de mercenarismo, de alienação, de manutenção do poder de uma classe dominante - classe esta que não é militar, mas sim civil. É como se os militares é que tivesse o objetivo precípuo, incutido em sua mente, através de eletro-choques e lavagens cerebrais, de garantir que os civis detentores do poder - poder dado pelo povo, pelo internauta, inclusive - permanecessem oprimindo a população.
Hoje - tentei esclarecer ao amigo debatedor - não obstante os profissionais despreparados ou os mal intencionados, a "ideologia" que permeou a história das fardas, das armas tem de ser relida, sob pena de estarmos presos a um passado descontextualizado. Pelo menos nas polícias urbanas, impera o mercado do emprego. Jovens universitários, cheios de ideias como o meu amigo internauta, que se esforçam e muito para alcançarem uma vaga num concurso público. Só e somente só. E mais: se lhe oferecerem outro emprego, com funções mais agradáveis e subsídio melhor, não há esse que não deixe a farda ou a arma pela caneta.
A sociedade horizontal que meu amigo internauta se referiu, em que todos somos iguais, existe como ideal utópico, descrito por Thomas More. A sociedade dificilmente estará disposta a abrir mão de seu grau de comodiade - ainda que seja pequeno, comodidade que pode ser, simplesmente, não querer se comprometer com a luta - para, de verdade, desejar a ruptura com os sistemas que se sucedem na dominação. E quando o fazem, fazem como massa de manobra, em prol de uma nova classe que cometerá os mesmos erros, ou piores, que tanto combateram.
Exemplo disso, é o Brasil de hoje. O país está sendo governado, há mais de uma década, pela classe que, historicamente, representava a luta, um novo e melhor país para todos. Hoje, são eles que, pela força dos policiais (civis, militares, federais), do Judiciário, do MP, oprimem, calam e prendem.
Minha dúvida: quando chegará essa sociedade da justiça, que quer distribuir renda, acabar com a fome, educar o povo? Não seria, esse velho discurso de luta, mais uma das alienações dos nossos tempos? Nos contentamos em discutir, agora pelo Facebook, nossa indignação virtual. Tantos foram presos e torturados - e se orgulham disso - para hoje serem alvos dos mesmos protestos que faziam. No real, sobra o trabalhador com a família para alimentar. O resto é discurso e blá blá blá.