Olá, pensadores.

Sobre o programa Big Brother Brasil, veiculado pela Rede Globo de Televisão, já expus minha opinião (lei aqui o texto). É um programa feito sob medida para a cultura da massa mediana brasileira: com interesse em corpos sarados, vida alheia e potenciais confusões. Em que pese não gostar do programa, entendo o porquê de ele ainda atrair a audiência de milhões de pessoas.

Na edição de nº 11, exibida em 2011, um golpe na estratégia de Boninho levou o programa, logo no início, a sofrer uma forte baixa no número de seus espectadores, com a saída precoce do primeiro transexual a participar do reality, Ariadna. O problema, não sei se vocês lembram, é que os outros participantes não foram informados que havia um transexual na casa e o programa começou cheio de suspense: quem iria formar par romântico com Ariadna? O fato não se consumou, devido a saída da participante, e Boninho teve de suar para conseguir "novos trunfos" e recuperar os pontos no Ibope.

Nesta edição, mais uma vez, o diretor do Big Brother vê sua estratégia sendo minada. A intenção de Boninho e sua equipe era, ao formar uma casa com metade dos participantes veteranos, instigar a relação entre "fãs" e "supostos ídolos", tornando-os competidores entre si, além de fomentar o "ego" dessas "pretensas celebridades", coisa que parece que tinha dado certo. Os faniquitos dos veteranos revela que, de fato, eles estão convictos que são "ídolos", "personalidades". Lamento pelos fãs destas personalidades.

Contudo, apesar do aparente êxito na estratégia de Boninho, um tiro certeiro contra seu planejamento foi disparado da mente de onde menos se esperava alguma atitude lúcida - a do participante Kleber Bambam, vencedor da primeira edição do BBB, no longiquo ano de 2001. Num raro acesso de sobriedade (de inteligência ou de necessidade - há rumores que Bambam não estava se adptando às poucas horas de sono e à falta de alguns "medicmentos"), o campeão da primeira edição do reality desabafou geral. Falou, entre tantas coisas justificantes de seu descontentamento, que não valia à pena, para os veteranos, se submeterem àquela "humilhação".

Em seu lamento esclarecedor, disse não ser "boneco da Globo" e que não estava disposto a "pagar o mico" de ficar sendo coagido diariamente a fazer ou não fazer isso e aquilo. Depois de ser interrompido em seu desabafo, no último sábado pela manhã, pela produção do BBB, o participante foi ao confessionário e coroou seu ímpar momento de sobriedade, informando a direção de prova que ele não estava fazendo nada demais ao falar, para os outros brothers, sobre seus problemas. Concluiu seu reclame, pedindo para sair... e saiu!

A saída de Bambam do progama não é, lógico, um fato histórico. Mas é um fato simbólico. Há um quê de insurgência da farsa ideológica que é introjetada nas mentes dos participantes e espectadores do BBB. Uma rebeldia contra a massificação e controle comportamental ditada pela Rede Globo. No ar (na tv paga e na internet), milhões de pessoas viram um controlado (Bambam) se rebelando contra seus controladores (o BBB e a Rede Globo) e, o que é mais importante, revelando o principal motivo: "não sou boneco ". Numa análise a contrario sensu, todos os demais, que ficaram, são bonecos, marionetas.

O progama, de certo, continuará a ser exibido e vertendo lucros para seus realizadores. A reboque, continuará ditando comportamento entre aqueles que, fascinados, ainda se aprisionam aos seus "encantos". Todavia, o insight simbólico de Bambam (ainda que outros tenham sido os motivos reais de sua saída), da forma como foi mostrado ao público, acena, muito claramente, que o "show" que se diz realidade, na verdade, nada tem de real: é tudo controle e farsa.