Já faz muito tempo que os habitantes das nossas cidades não querem só comida, diversão e ballet. Cuidado, prezado candidato. Hoje tem sempre um celular gravando um mau atendimento, ou fotografando um inconveniente buraco no meio da rua.
Depoimentos enriquecidos com esses elementos, e que vão direto para a internet, são capazes de causar um relevante impacto na sucessão do poder.
As informações do Censo 2010, divulgadas na semana passada pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, indicam que a maioria dos alagoanos está vivendo nos centros urbanos. Esse fato provoca uma crescente pressão na gestão dos municípios, por serviços públicos de qualidade.
Certamente, com todas as ferramentas de conectividade e informação que temos acesso hoje, e ao contrário do que podem pensar alguns, o eleitor só será enganado até a página dois.
Apesar de extremamente desejável, não basta mais para um candidato a prefeito, fazer uma campanha baseada tão somente na sua honestidade. Apesar da imensa dificuldade em se garantir essa qualidade, isso já é considerado o básico, um item de série, a sua obrigação.
Além do quê, os órgãos de controle, como o próprio TRE e o Ministério Público, estão cada vez mais operantes para provocarem a perda dos mandatos dos candidatos infratores. A mera retórica lhe garantirá cada vez menor vantagem.
Seu discurso, se vier órfão de um bom programa de governo, não resistirá ao confronto de um conjunto de projetos bem estruturado. Portanto, responda se for capaz: o que precisamente irá fazer, caso seja eleito, para enfrentar os problemas do seu município? Com qual capacidade técnica e operacional está contando? E como pretende se financiar?
Com toda certeza, a complexidade dessas questões é bem maior do que desejaríamos e as respostas que exigem, estão bem longe do trivial. Acreditem ou não, a minha ingênua redundância não é nada, perto da gigantesca cobrança que recairá sobre os ombros dos próximos prefeitos eleitos.
Estamos vivendo em um tempo cuja informação chega ao eleitor. Ainda não da maneira ideal, porém de forma ostensiva.
Nos Aglomerados Subnormais, como são classificados pelo IBGE aquelas aglomerações de habitações resultantes do crescimento desordenado, e onde estão também as mais simples residências dos municípios, nesses domicílios temos quase a totalidade das residências com algum tipo de ligação de energia elétrica.
Sabemos que esse é um clássico indicador de crescimento econômico, quando levado ao nível industrial. Mas no que se refere aos eleitores, isso indica pelo menos, o consumo de aparelhos elétricos cujas principais vedetes dos últimos anos, tem sido os meios conectados de comunicação.
A manipulação da massa, por meio da TV e do Rádio, não é mais absoluta na audiência do eleitor. Hoje ele passa adiante uma má experiência, simplesmente com a velocidade da fibra ótica e das ondas via satélite. Como se já não bastasse isso, os indivíduos, mesmo aqueles mais simplórios, estão se conectando antes até de concluírem a sua alfabetização.
Cada vez mais a verdade da gestão pública irá prevalecer. Sem maquiagem, sem firulas televisivas. Seja bem-vindo, portanto, as eleições de 2012.