Certamente, todo projeto que desejamos realizar, do mais simples ao mais complexo, irá exigir de nós uma boa dose de determinação. Do querer fazer, do empreendedorismo. Das decisões que viabilizam os negócios, e não das desculpas paralisantes.
No entanto, muitas vezes tomamos decisões erradas, mal fundamentadas, tão somente porque não estamos acostumados a concluir os nossos empreendimentos. Na verdade, paira no ar uma incômoda desconfiança de que não somos maiores e melhores por nossa própria e inteira responsabilidade.
Do relacionamento aos negócios, os nossos resultados são movidos por nossas atitudes. O pedido de desculpas que não aconteceu, o carro que deixou de ser vendido porque as partes interessadas ficaram se apegando as mínimas frações de trocados na negociação do preço, os muitos imóveis fechados cujos proprietários temerosos, fazem um oceano de exigências em seus contratos de aluguéis.
Lembrando que apesar dos maus inquilinos, o imóvel é no quesito segurança, um investimento considerado imbatível, mas perde no que se refere ao quesito liquidez.
Tudo isso, desconsiderando o efeito devastador que o tempo impõe sobre as nossas vidas.
Enquanto isso, dívidas deixam de serem pagas, empresas deixam de serem abertas, empregos deixam de existir e as famílias deixam de realizar muitos dos seus objetivos.
Quem quer fazer, quem quer de verdade, encontra um meio. Supera as adversidades, encara os seus medos. As respostas existem, mas não adianta nada ficarmos teorizando planos que não encontram fundamentos na nossa realidade nem nos recursos que dispomos.
O problema que está cada vez mais evidente, é que não estamos utilizando todo nosso potencial. Estamos preferindo fraudar os trabalhos acadêmicos em vez de acreditar em nossa capacidade de criar e inovar. Estamos preferindo secar os nossos colegas mais motivados em vez de imitá-los em suas virtudes. Estamos nos justificando para tudo que não entregamos conforme o combinado. E o pior, estamos acreditando nessas justificativas.
Justificar deve sempre ser a exceção e jamais a regra. É claro que dificilmente as instituições e equipes de trabalho das quais participamos, oferecem as condições ideais. E mais do que isso, é salutar que a nossa própria vida seja feita de imperfeições. É daí que partem as oportunidades.
Se longe for, um empreendedor encontra um jeito lucrativo de explorar o transporte. Se fizer calor, ele venderá tudo de refrescante que encontrar pela frente. Se fizer frio ou chover, ele comemorará a oportunidade de vender casacos e guarda-chuva. E se toda sorte de adversidade resolver acontecer em seu ambiente de trabalho, ele pensará em como poderá fazer parte da solução e não do problema, para que seja percebido como peça fundamental dentro da sua organização.
Concordo que não devemos descuidar do planejamento para praticamente tudo que consideramos importante. Mas planejamentos intermináveis que nos impedem de começar não são bons. Lembre-se que planejamentos são feitos para que possamos atingir os objetivos. Tem a ver com agir, e não com ficarmos parados. Não é por outro motivo que geralmente o planejamento costuma ser decomposto em “Ações”.
O que estou defendendo, é que precisamos acordar para a necessidade de colocar a nossa vida em movimento. A busca do planejamento perfeito precisa parar de ser usado como desculpa.
Ou a burocracia, que nada mais é do que uma metodologia para se coibir abusos ao fazer as coisas. Se a ocasião indicar que devemos acionar uma posição mais alta na hierarquia, para que uma decisão seja tomada, que o façamos.
Cuidado com o trabalho de conclusão de curso que nunca sai, com o casamento à espera da conjuntura perfeita e com o seu plano de negócio que clama para ser colocado em prática. São coisas que, cedo ou tarde, podem gerar um relevante impacto na sua vida.
O empreendedor faz! E com sua pouca criatividade para se justificar, conhece bem o sentimento de perda. É claro que ao decidir agir, estará muito mais exposto as pequenas derrotas que fazem o caminho. Ele segue fazendo, porque a única coisa que irá avançar com as suas desculpas é o tempo. E quanto mais o tempo passa, menos tempo temos.
Então, de repente, somos jovens demais para crescer ou velhos demais para sonhar. Não, isto jamais foi verdade. Apenas são justificativas que estamos fabricando por medo de enfrentar os riscos do fracasso. E irônicamente, é justamente por esse medo que acabamos fracassando.