Olá pensadores!
Antes de mais nada, é preciso reconhecer: no que tange à segurança pública, Alagoas amarga dias tenebrosos. Os dados oficiais estão aí, para quem quiser ver, medir e comparar! Alagoas está sendo dominada, dia a dia, por uma onda de crimes capaz de tirar o sossego de qualquer cidadão de bem.
Entretanto, não obstante a essa triste constatação, tal fator não nos autoriza, enquanto população e enquanto imprensa, a contribuir e, até mesmo, aumentar esse já insuportável clima de insegurança pública que vivemos. Não acredito que, mesmo diante da iminente calamidade que o Estado vive em termos de segurança pública, estejamos autorizados a prolatar o apocalipse, da forma como foi feito, em Maceió, na manhã deste domingo.
Os boatos sobre supostos arrastões, que teriam começado, para alguns internautas e para boa parte da mídia eletrônica do Estado, na noite e madrugada anteriores, tendo se espalhado pela cidade de Maceió, são um exemplo de como nós, simples cidadãos, temos nossa parcela de culpa no aumento, não da criminalidade, mas da sensação de insegurança que já nos assola.
O que aconteceu no centro da capital alagona, hoje, é perfeitamente explicável. No comércio repleto de pessoas, de repente, alguém gritou: “Assalto! Pega ladrão! Olha o arrastão!”. Para cada ouvido que captou essa mensagem, uma reação foi desencadeada, como um efeito dominó. Daí, a multidão desordenada tratou de compor o restante do cenário: dezenas de pessoas correndo, assustadas e passando mal; portas das lojas sendo fechadas; polícia sem entender nada; um verdadeiro tumulto geral e sem foco.
Na internet, tivemos a pior repercussão, creio, de tudo isso. Milhares de internautas, dando como certo o arrastão, passaram a ser vítimas de não sei quantos outros arrastões em diversos lugares da cidade. Ninguém dizia “eu vi!”. Era sempre “um amigo meu disse que...”. O telefone sem fio do medo se espalhou e, em poucas horas, estávamos trancados em nossas casas pensando que, a qualquer momento, o arrastão iria bater em nossas portas.
Pior que a ação dos usuários da net, foi o trabalho da mídia alagoana no caso. Sem atentar para o grau de responsabilidade que possui para a construção de um clima de tranqüilidade e sem o devido trabalho de apuração, a mídia passou a noticiar, em manchetes, que Maceió estava sendo dominada! Meu Deus! Quanta irresponsabilidade! Quem, como eu, acorda procurando saber das notícias do Estado, ao se deparar com uma manchete dessas, pensou o quê? Estamos lascados!
Pouco a pouco as notícias da não ocorrência do arrastão foram sendo divulgadas. Então, os boateiros de plantão passaram questionar: “e as pessoas que estavam no centro? Elas estavam mentindo?”. Não, respondo. As pessoas que estavam no centro não estão mentido. Mas o que houve não tem nada a ver com arrastão. Hoje, no centro, tivemos um exemplo, comum inclusive nos estudos policiais de comportamento de turbas, de tumulto generalizado sem causa relevante. Era como uma manada de cervos fugindo da sombra de um possível leão.
Meus amigos, repito: Alagoas está agonizando no quesito segurança pública e isto é fato notório. Esperamos ansiosos que o Estado saia desta UTI social e possamos respirar dias melhores. Mas, enquanto isso, estou certo, há comportamentos nossos, enquanto cidadãos, que podem fazer dessa agonia algo muito mais doloroso, muito mais sofrido... Aliás, desmotivadamente sofrido, como hoje. O que nós, alagoanos, menos precisamos é nos tornarmos escravos da boataria do terror.
Estou no twitter: @sjteles