Olá, pensadores!

Sua Excelência, o palhaço Tiririca, o parlamentar mais popular do Brasil, vem desempenhando, com maestria, o mandato para o qual os paulistas o elegeram. Ele decidiu, agora, reunir toda a palhaçada e nomeou dois amigos humoristas (Américo Niccolini e Ivan de Oliveira, ambos do programa “A praça é nossa”, do SBT) para os cargos de secretários parlamentares.

Os salários beiram os R$ 8 mil e os novos funcionários da Câmara sequer darão expediente, já que moram em São Paulo e o ilustre deputado não tem escritório político na capital paulista. Ou seja: os comediantes foram nomeados, como ocorre aos montes no Brasil, apenas para perceberem os salários. É, ou não é, para “morrer de rir”?

Segundo alegaram os novos funcionários públicos, suas nomeações se deram por conta das “idéias” que podem dar ao deputado, auxiliando-o em seu mandato legislativo. Isso porque foi deles a idéia dos slogans usados por Tiririca na sua campanha. Lembram? Para refrescar a memória: “Vote no Tiririca: pior que tá num fica” e “Você sabe o que faz um deputado federal? Eu também não. Vote em mim que eu te conto”. São R$ 16 mil mensais por idéias como essas. Isso é Brasil!

Apesar de os jornais terem noticiado tal fato com certo alarido, levanto aqui a bandeira em defesa à sua excelência. Os 1,3 milhão de conscientes paulistas que o elegeram não podem, agora, alegar que ele lhes faltou com a verdade ou que lhes traiu a confiança depositada. Tiririca, desde sempre, disse o que iria fazer na Câmara: ajudar as famílias pobres e os necessitados, começando pelo seus entes e por seus amigos.

Portanto, as nomeações ora criticadas fazem parte do amplamente divulgado “plano político” do deputado, guardando extrema coerência com suas promessas de campanha. Quem não concorda, deveria ter pensado antes de votar. Aliás, Tiririca, na verdade, está se destacando dos demais parlamentares: é um dos poucos que cumpre o que promete. Eu acho é tome!

Na minha modesta opinião, Tiririca não terá muito mais a ofertar aos seus representados que episódios como esses. Vai fazer, de seu mandato, uma diária anedota. E os paulistas que o elegeram, talvez cansados das piadas sem graça dos velhos políticos profissionais e que viram nele a chance de pôr no congresso alguém que, de fato, entenda de fazer graça, vão "chorar de rir". Ou seria "rir para não chorar"?

O problema, meus caros, é que o Congresso não é – e nunca foi – lugar de fazer graça e esses quatro anos do mandato “bacana e legal” de Tiririca vão mostrar isso. Só não verá  o povo já desacreditado na política e nos políticos, para quem tudo é graça, gasto público é gasto alheio e Brasília é como uma terra de ninguém.

O fato de maus políticos, literalmente, “gozarem da nossa cara” não nos autoriza a, sendo mais irresponsáveis, legitimarmos a piada. Tiririca e tantos outros palhaços não profissionais são exatamente isso: piadas legitimamente eleitas! Frutos da irresponsabilidade, demonstram uma verdade dura: a democracia, numa nação pouco educada, ao invés de ser festejada, deve ser vista como uma arma nociva.

Tenho certeza que novas piadas, ainda mais sem graça, serão contadas por Tiririca, nesses longos quatro anos. Aliás, essa função será mais facilmente desempenhada por ele, que possui, agora,  um “staff do riso” à custa do erário. Eu quero ver o povo – e principalmente seus eleitores – achar graça quando ele começar, a seu modo e do jeito que prometeu, a ajudar as famílias pobres! Aí, sim, será uma piada das boas! Afinal, não podemos esperar outra coisa de um palhaço deputado.