Esse texto foi publicado, também, no portal O Globo:

oglobo.globo.com/opiniao/mat/2010/03/30/pac-2-novas-promessas-velhas-mentiras-916211733.asp

Olá, pensadores!

Quando a ministra Dilma Rousseff, em 28 de janeiro de 2007, anunciou o nascimento de seu filho, o PAC, o Brasil, e nós brasileiros, olhamos ressabiados para aquele projeto de investimento e, sobretudo, para o montante de dinheiro (cerca de R$ 503 bilhões) que seria empregado no país até 2010.

Há algum tempo, nossa pretérita desconfiança se revestiu de constatação ao perceber que, embora bem intencionado, o governo federal, seguindo a linha marqueteira usada por qualquer partido que esteja no poder, usou o "filho de Dilma" para tentar, ao somente, "imPACtar". Chegando ao fim da vigência do mal nascido PAC-1, o governo tem a triste marca de ter orçado apenas 39% da verba destinada e, o que é pior, de ter investido concretamente apenas 11% do que divulgou.

Desses 11%, a maior parte das obras encontra-se atrasada ou incompleta. Por exemplo, em São Paulo, até janeiro de 2010, das 915 obras promovidas pelo Plano, apenas 107 foram concluídas. O programa "Minha casa, minha vida", que surgiu como o alarido de resolver de vez o problema da habitação nacional, prometendo 1 milhão de moradias, completa um ano longe dessa meta, mal beirando os 20% de contratos firmados para a construção. Construídas, os números são bem menores.

O rebento petista, o tal do PAC, em termos reais, não acelerou em nada o crescimento... Aliás, como poderia ter feito se, de verdade, mal conseguiu sair do papel? E, faltando menos de um ano para o final do governo dos pais do PAC, restando tanto ainda por fazer do dito salvador PAC-1, Lula e Dilma anunciam a gestação precoce e o nascimento de outro filho, agora duas vezes maior.

Sejamos coerentes: a intenção do PAC é realmente muito boa. Mas, se em três anos o governo não conseguiu ultrapassar 12% de obras efetivamente realizadas do PAC-1, só nos resta pensar que o lançamento do PAC-2, no final do governo, com metas colossais e, a tirar pelo primeiro, inalcançáveis, parece-nos mera jogada de marketing. Uma campanha de imagem, para atrair luz e mídia apenas, comum a todo político.

Ah, como eu queria acreditar, como os passionais, que realmente os que estão no governo são diferentes dos que já passaram, que estão bem intencionados. Como eu queria que, nesses meses que faltam a Lula, ele viesse a público se comprometer em cumprir o PAC-1. Que dissesse que iria gastar toda a sua popularidade no esforço para investir os R$ 504 bilhões que prometeu. Mas, preferindo a ação pirotécnica, que atrai voto e pode lhe assegurar não soltar o osso, o presidente preferiu não prestar contas e, de quebra, ainda vai deixar para seu sucessor um compromisso mais pesado do que aquele que ele mesmo não conseguiu cumprir.

A grande massa, maior parte desprovida da educação que gera o entendimento, vê nas promessas a esperança de mudar de vida e entende o recado: "tem que votar em quem o presidente mandar, se não, não tem 'Minha Casa, Minha Vida', nem 'Bolsa Família', nem 'PAC-2'". Na verdade, não tem nem PAC-1...

E o governo, não cumprindo seu compromisso, usa o velho e manjado artifício de fazer novas promessas, igualando-se àqueles que preferem o discurso à prática, a imagem ao real, a ilusão da promessa ao fato da execução. Logicamente, não haverá tempo hábil, nem vontade política - e o PAC-1 é a prova inconteste - para que esse novo plano seja cumprido. Ao governo isso pouco importa. O que importa é que o PAC-2 está ai, na boca do povo! Infelizmente, nem todos vêem que se trata de uma nova promessa, fundada em velhas mentiras.