Olá, pensadores!
Recentemente, por ocasião do lançamento de meu livro, fui entrevistado pela Rádio Novo Nordeste AM, de Arapiraca, no programa do amigo e radialista Ângelo Farias. Num bate-papo descontraído, o comunicador me perguntou sobre a obra, sobre as dificuldades de se escrever e sobre minha emoção em ter feito um relato neutro sobre a Polícia Militar de Alagoas.
Eu respondi a todas as perguntas com a segurança de quem conhece a obra... Pertinho de acabar o diálogo, o astuto e perspicaz radialista me aplicou uma das maiores saias justas da minha vida: do nada, dirigiu a mim a enquete que estava no ar, em seu programa vespertino: “Pinto de Luna vai abrir mão de sua candidatura em razão de outros políticos conhecidos em Alagoas?”
Estávamos no ar e eu não tive tempo para digressões filosóficas. A resposta tinha que ser instantânea: sim ou não. Confesso que, na hora, apesar de estar calçado, senti as solas dos pés gelarem, como se em contato direto com um solo de mármore. O estômago embrulhou e, no intervalo de tempo entre pergunta e resposta (que deve ter durado uns três segundos, mas pareceu uma eternidade), diversas lembranças zapearam em minha cachola.
Ciente do que eu deveria responder, abri a boca e ouvi minha voz dizendo o que eu mesmo gostaria de ouvir. Eu disse: “Não, ele não vai desistir”. Para mim mesmo e para todos os arapiraquenses que ouviam o prestigiado “Show da Cidade”, eu deixei que meu coração revelasse o que nele se passa.
Embora já tenha demonstrado, aqui no Balaio, a minha descrença no atual sistema político-partidário, manter-se inerte, vendo as mesmas velhas raposas lambuzarem-se com a devassa da coisa pública não faz meu gênero. Pinto de Luna pode até nos decepcionar, mas temos 50% de chance que ele não o faça... Os que aí estão já nos decepcionaram 200 ou 300%...
Apesar de ainda conhecer muito pouco o pré-candidato, quero acreditar que sua coragem não seja apenas fogo de palha ou enganação ao povo sofrido – e já muito tapeado – de Alagoas. Em mim, há crença de que, se não ele não for um guerreiro contra os ‘taturanas’ do Senado, ao menos, Pinto não será um deles... Estarei errado?
Pinto de Luna compareceu ao lançamento do meu livro. Apertando sua mão, na escrivaninha de autógrafos, eu lhe disse o que tenho ouvido de muita gente: “Alagoas espera muito de você!”. Aqui no Balaio, num dos meus últimos textos, eu disse que a maré está muito calma e que o tsunami não demora, breve chega. As raposas já se articulam e prova disso é que Ronaldo Lessa já se decidiu pelo governo. E para o Senado, como será?
Espero que, antes de tomar qualquer decisão sobre sua candidatura e, muito mais, se eleito Senador, sobre os destinos do nosso Estado, Luna pense na mudança que nós, alagoanos, esperamos pintar, por essas bandas, nos próximos anos, com o próximo pleito eleitoral. Porque, meu caro Pinto, definitivamente, não queremos trocar seis por meia dúzia.
E você, o que acha? Ele sai ou não sai candidato?