O cinza dos seus olhos...

O triunfo das mentes do século XIX que sequer conseguem compreender a racionalidade iluminista.

A busca por uma erudição amorfa em detrimento das possibilidades multifacetadas de expressão que é o lado bom que a modernidade nos legou.

O liberal que tem como principal eixo de ação o cerceamento da liberdade de expressão.

O liberal no campo econômico que não consegue esconder suas inclinações conservadoras no campo dos costumes e valores.

O cinza cru, cobrindo a expressão da genialidade de homens comuns, porque afinal nessa interpretação medievalesca de mundo, homens comuns não podem produzir arte...o lugar deles é nos andaimes pingentes, apertando parafusos ou equilibrando tijolos.

Tudo que não for repetição letárgica de tarefas mal pagas é negado ao homem comum por aqueles cujo coração só se comove com aquela tal "Alta Cultura".

Esse é o prefeito da maior cidade do país, que precisa se fantasiar de tudo aquilo que rejeita, pois, que, afinal, nesse mundo de faz de contas, não é preciso ser nada; mas convém parecer ser aquilo que as pessoas aplaudem.

Um brinde para aqueles que entendem que a beleza se esconde na ausência de cor e de diversidade( ...)

 

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A arte de desinformar

 Ainda em 2014, duas semanas após a eleição que deu um segundo mandato a Dilma Roussef, meia dúzia de gatos pingados estavam na Avenida Paulista, sob a liderança de Lobão, vociferando contra uma suposta fraude eleitoral e pedindo o impeachment da presidente eleita.

Era um domingo, naquela mesma segunda-feira, o senador Aécio Neves pedia ao TSE a auditoria das urnas eletrônicas.
Que fez a mídia?
Deu uma ampla cobertura aos dois gatos.
Como já sabiam, homens como Benjamin e Horkheimer, em sociedades de massa, os Meios de comunicação de massa, a partir das suas escolhas, podem impulsionar ou não determinadas mobilizações que inicialmente tendem a ser atomizadas. 
Nessa lógica, o grau da cobertura midiática parece agir como elemento sancionador do fenômeno.

Rebobinando um pouco mais o filme, esse blogueiro lembra que o maior conglomerado midiático do país, ignorou solenemente a campanha pelas diretas já, quando 2 milhões de pessoas se aglomeravam no Vale do Anhangabaú em São Paulo, numa época em que não existiam ainda as redes sociais e não imaginávamos ainda ser possível viralizar convites pela Internet.
Alguns vão dizer que por não serem manifestações massificadas, não deveriam merecer mesmo um destaque  maior da imprensa.
Mas, como foi dito anteriormente, essa não tem sido a regra pra balizar a prioridade das coberturas jornalísticas.
Passados dois anos, a mídia nacional faz a sua escolha e opta por ignorar as ocupações estudantis que se estendem  a mais de mil escolas e outros tantos IFes e reitorias pelo Brasil afora.
Quem liga as TVs hoje no Brasil, fica com a impressão de que há um consenso em torno das medidas anunciadas pelo governo Temer.
Mas a resistência existe mesmo que alguns insistam em não enxerga-la.
A campanha das Diretas acabou por se tornar uma realidade, apesar de censurada pela cobertura midiática.

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Estudar sem Temer!

 * Por Gabriel Santos - Estudante de História da Universidade Federal de Alagoas

 

Terça-feira, dia 25 de Outubro, UFAL Maceió. Já tinha anoitecido, as falas estavam ficando cada vez mais inflamadas e o público permanecia no local. Eram pouco mais de 150 estudantes que lotavam a Praça da Paz, discutindo sobre os ataques que o governo Temer vem realizando. Apesar das divergências entre as organizações de esquerda, a assembleia estudantil da UFAL ocorria sem grandes problemas. Porque todos ali queriam uma única coisa: Ocupação.

Quinta feira, dia 27 de Outubro, chegamos ao segundo dia de ocupação. A Reitoria da UFAL está nitidamente diferente. Entre os técnicos que estão nos últimos dias de trabalho antes de entrarem em greve, circulam dezenas de estudantes. No meio das árvores, uma rede é colocada. Nas paredes, cartazes contra a retirada de direitos. Na entrada, uma enorme faixa anuncia: Ocupa Tudo!

A UFAL está quase vazia, estamos na última semana de aula. Entre leituras dos últimos textos, as últimas provas, temos os problemas pessoais; e agora temos que correr também para a Ocupação. Não vai ser fácil, mas ninguém disse que seria. As coisas ficam piores quando bate a vontade de fumar. Como se fosse pouco, agora, é preciso resistir também à tentação de ascender um cigarro e dá um trago. Costumo brincar que não sei qual é o mais difícil de combater, a vontade de voltar a fumar, ou aos ataques de Temer e seu governo.

Hoje chegamos a dois dias de ocupação. Dois dias de intensos debates, reuniões, brigas por coisas sérias e por besteiras. Os ânimos estão à flor da pele. Como não podia deixar de ser, existiu muita discordância. Discutimos qual a melhor hora para fazer assembleia, se deveríamos tomar medidas mais radicais, se daríamos entrevista ou não, etc.

Além de lidarmos com o cansaço e com o sol infernal que está fazendo, vamos ter que aprender a lidar com nossas divergências. Não podemos ser nossos próprios inimigos. Temos a necessidade de fortalecer a luta contra a PEC 241 e o governo golpista de Temer.

Os estudantes de todo o País tem entrado em resistência contra a PEC 241. Hoje, são mais de 1.110 ocupações de escolas e IF´s e mais de 90 Universidades ocupadas. Os números não param de crescer. As ocupações que começaram no Paraná se nacionalizaram, incendiando a luta contra a Reforma do Ensino Médio, o projeto Escola Sem Partido, a PEC do Fim do Mundo e o contra Temer.

Essa resistência vem se dado sobe a forma de ocupação dos locais de estudo. A tática da ocupação é uma das mais radicais do movimento, pois passamos a nos auto-

 

organizar. Desafiamos a lógica dominante na qual somos sujeitos passivos. Organizamos a limpeza, a alimentação, a segurança, os assuntos que queremos discutir e nos informar sobre.

Nesse momento que as lutas contra Temer e a PEC 241 se nacionalizaram, é fundamental a criação de um Comando Nacional das Ocupações. Este Comando deve ser o mais democrático e representativo possível, que reúna os lutadores do país inteiro, articule ações unificadas e dê fôlego à resistência dos estudantes.​

É preciso também que outras categorias entrem na luta e façam Greves e paralizações, para assim conseguimos construir uma Greve Geral e derrotar a PEC do Fim do Mundo e o governo do PMDB.

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De Maceió para o Rio: um salve pra Marcelo Freixo

 

Aconteça o que acontecer, Marcelo Freixo se consolidou como liderança do campo progressista no Brasil.
Pra muitos com quem tenho conversado, pela atual situação falimentar do Rio e pelas perseguições que sofreria das esferas federal e estadual, a derrota nas urnas é até melhor agora, pois, que, nesse caso, Freixo perderia vencendo.
Pessoalmente não concordo com esse argumento, e acho que uma vitória agora seria um alento diante do cenário tenebroso em que o país se encontra.
Sem dúvida, há certa razão naqueles que já apontam freixo como um vencedor.
Marcelo conseguiu fazer uma das mais belas e mobilizadoras campanhas da esquerda nos últimos tempos.
Num cenário de Lava-Jatos, relações promíscuas entre agentes públicos e privados e onde um Ministro de Estado defende abertamente o caixa 2, Freixo conseguiu engendrar uma campanha espetacular de doações.
As doações que   tinham como elemento central o engajamento  daqueles que  acreditaram  num projeto diferente,tomaram corpo e cresceram.
Freixo, com raras derrapadas, também teve a coragem de ir na contramão de um sentimento hegemônico e defendeu a importância do estado numa metrópole assolada pela pobreza indigente.
O Rio de 2016, ainda guarda um pouco daquela cidade que foi palco da revolta da vacina em 1904, e Freixo, é o oposto completo de Pereira Passos.
Freixo é dono de um pacifismo cortante; questionou, corajosamente, o tema da violência no Rio de Janeiro, entrando em choque com um eleitorado conservador que ainda acredita que o drama carioca deve ser enfrentado a partir do recrudescimento da atuação policial.
Seu debate firme em relação a pauta anti-proibicionista foi outro ponto alto da campanha.
Torço muito pela vitória de Freixo amanhã, mesmo sendo um cidadão de Maceió e tendo disputado aqui o primeiro turno, essa foi a eleição que me motivou no segundo turno.
Acredito nessa possibilidade porque a esquerda já protagonizou grandes viradas como a de Wagner na Bahia e o próprio Haddad em São Paulo.
Mas freixo, até aqui, se destacou por acender  uma fagulha de esperança boa e mostrou que ainda há espaços pra defender essas ideias sem se curvar ao Marketing e aos interesses dominantes.
Um salve  à Marcelo Freixo, um salve à esquerda brasileira!!!

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PEC 241: governar é fazer escolhas

É comum encontrar no discurso dos profetas da austeridade a comparação simplista entre a gestão das contas públicas, e o que seria a gestão de um orçamento doméstico.

Tal comparação visa, na prática, escamotear como as políticas de austeridade acabam por esvaziar completamente os sentidos dos regimes democráticos, de modo a retirar do parlamento e dos governos eleitos qualquer margem de manobra, em relação ao uso do orçamento para viabilização de políticas sociais.

Tomemos como exemplo a PEC 241, que mesmo no contexto das políticas de austeridade, é vista por alguns economistas como a radicalização de algo já draconiano, por propor uma alteração no texto constitucional de modo a congelar os investimentos públicos por um período de 20 anos, admitindo, no máximo, uma correção para reposição de perdas inflacionárias.

Se admitirmos que os serviços prestados atualmente já não são bons, e que a população brasileira caminha para um envelhecimento natural, aumentando a incidência de doenças crônicas; se pensarmos que o congelamento dos investimentos em infraestrutura torna o Brasil um ambiente ainda mais permissivo à proliferação de epidemias, e se pensarmos ainda que teremos diante de nós um quadro em que os governos estarão impossibilitados de aumentar os investimentos em saúde, mesmo com eventuais aumentos na arrecadação, o futuro pode se apresentar desolador e apocalíptico .

Alguém se apressará em dizer que diante do cenário acima descrito, os governos estarão proibidos de elevar os investimentos em saúde, mas que poderão alocar recursos retirados de outras áreas, e aí reside o elemento fundamental da proposta. Os processos eleitorais perderão totalmente o seu sentido na medida em que os candidatos, para além de eventuais divergências ideológicas e programáticas, estarão postulando apenas a possibilidade de gerenciar orçamentos escassos, podendo, no máximo, se diferenciar pela escolha de prioridades.

Hipoteticamente, seria possível projetar para o futuro um debate em que um determinado candidato A buscará se diferenciar de seu adversário B, afirmando ter como prioridade a educação, mas que, para isso, será necessário a retirada de recursos na saúde ou infraestrutura, ou ainda, cultura.

Pois é exatamente a isso que estamos sendo condenados: a um fascismo fiscal em que, na melhor das hipóteses, um governo poderá contemplar uma área em investimento sacrificando outras, mesmo num cenário marcado pelo crescimento econômico e aumento de arrecadação.

Enquanto isso, o Banco Central e os governos de plantão continuam tendo total autonomia para definir a taxa de juros, e com ela drenar boa parte do orçamento para as mãos de rentistas que correspondem a um pequeno percentual da população brasileira, investem pesado em títulos da dívida pública e dormem o sono tranquilo daqueles que não precisam do SUS, não dependem do funcionamento dos institutos federais e não terão que acordar tendo diante de si um esgoto a céu aberto (...).

Dessa forma, a sociedade brasileira caminha para referendar a máxima de que governar é fazer escolhas. Pequenas escolhas, porque as grandes já foram feitas e não poderão ser alteradas por nenhum governo nos próximos 20 anos.

Em outras palavras, a PEC241 congela, por duas décadas, a nossa democracia.

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Corre Temer que o Cunha vem aí.

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Imaginem por um instante um governo eleito pela via indireta, com altíssima rejeição popular mensurada em pesquisas e que se propõe a aprovar uma série de medidas e propostas sucessivamente rejeitadas em sufrágios eleitorais democráticos e abonados por observadores internacionais.

O leitor imediatamente espera que esse governo, em meio a tamanha atmosfera de ilegitimidade, vai fortalecer os mecanismos democráticos até como forma de legitimar suas ações.

Quem pensou dessa forma errou feio.

Tome-se como exemplo o governo Temer que se adequa perfeitamente as características descritas no primeiro paragrafo, é o governo que propõe uma ampla reforma do ensino médio no Brasil através de uma inusitada medida provisória prescindindo do diálogo necessário com a sociedade e os atores sociais que pensam a educação no país.

O que justificaria tamanho açodamento?

Os doutores em arrogância que estão a frente do MEC alegam que a reforma é necessária e urgente e, portanto, não pode mais ser adiada.

Oi??? É isso mesmo???

Eis então a teleologia dos regimes autoritários que ao longo da história procuraram basear sua existência em dois pressupostos:

  1. Não é possível conciliar a justiça social com a manutenção das liberdades democráticas (via jacobina).
  2. As necessidades e imperativos históricos exigem a substituição do debate democrático pela sabedoria dos “especialistas”, pois, já perdemos tempo em demasia (via napoleônica).

Como sabem todos os silenciosos faróis da nossa linda costa litorânea, o governo Temer não busca a justiça social e, portanto, podemos descartar o equivoco de estar solapando a democracia pela via jacobina, quem dera fosse por isso, seria péssimo, porém mais aceitável.

Fiquemos com segunda via: o governo Temer não tem tempo a perder, não pode dispor das suas preciosas horas em debates inócuos com reitores, professores, cientistas e estudantes.

Às favas com a comunidade científica porque o governo Temer, se tudo “correr bem”, tem no máximo um ano e meio, mas pode acabar amanhã se um hospede especial recém-chegado a masmorra de Curitiba resolver entregar os anéis pra salvar os dedos.   

Depois, ninguém sabe o que pode vir e quem provavelmente vier, certamente não vai querer ter diante de si esses serviços sujos e pouco permeáveis a aprovação popular, afinal, os mesmos faróis que tudo veem e nada falam, sabem que ninguém ganha eleição prometendo cortes, desemprego e arrochos.

Minha querida Dilma experimentou na pele o preço do estelionato, e, portanto, esse tipo de serviço a gente deixa para governos eleitos pela via indireta.

Temer tem que correr contra o tempo pra fazer suas contra-reformas e aqui uso o termo contra-reforma partindo do principio que nenhum pai de família acorda no domingo e conjuga o verbo reformar convidando a família a empreender mudanças que vão piorar a condição do seu  lar.

Esse é o texto com o qual dou o pontapé na minha jornada pelo Cadaminuto e através dele não pretendia dialogar a respeito da reforma do ensino médio e sim os expedientes antidemocráticos que precipitam sua aprovação.

Na próxima postagem vamos debater o mérito da reforma.  

 

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