O dia das Eleições é marcado por diversos acontecimentos. A ida ao colégio eleitoral, a espera da fila, a hora de votar, o retorno para casa e o aguardo para o resultado que transformará completamente o país nos próximos 4 anos.
Para alguns, o voto representa a oportunidade de reafirmar a democracia e decidir os rumos do país. Para outros, a escolha ainda é cercada de dúvidas, mesmo às vésperas de apertar os botões da urna eletrônica.
Neste domingo (25), mais de 2,4 milhões de eleitoras e eleitores de Alagoas terão a oportunidade de participar do segundo turno das Eleições 2026, que definirá o próximo presidente da República.
A votação ocorre depois de um primeiro turno em que mais de 500 mil eleitores alagoanos não compareceram às urnas. Em 4 de outubro, 503.370 pessoas deixaram de votar, o equivalente a 20,64% dos 2.439.190 eleitores aptos naquele momento. Outros 1.935.820 compareceram para registrar suas escolhas.
Os números dimensionam o desafio da participação eleitoral em um estado onde a disputa se concentra exclusivamente na Presidência da República. Enquanto seis estados e o Distrito Federal também voltarão às urnas para escolher governadores, Alagoas definiu o comando do Executivo estadual na primeira votação.
João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), foi eleito governador com 892.484 votos, correspondentes a 52,20% dos votos válidos. Renan Filho (MDB) ficou em segundo lugar, com 809.796 votos, ou 47,37%.
Para quem ainda está diante da decisão, o voto envolve mais do que a preferência por um nome. A escolha passa pela avaliação de propostas, trajetórias políticas e projetos para o país, além da compreensão dos efeitos que as decisões presidenciais podem produzir ao longo dos próximos quatro anos.
O indeciso, o voto e a decisão
O jovem Lucas Gabriel não conseguiu votar no primeiro turno das eleições. Segundo ele, o atraso para chegar ao trabalho impediu que comparecesse ao local de votação.
“Eu havia dormido muito durante o dia e, quando me dei conta, já havia acordado atrasado para o trabalho. Infelizmente não consegui votar”, disse.
Mesmo com a vontade de exercer o direito ao voto, a impossibilidade de votar contribuiu para analisar as propostas de ambos os candidatos. Da economia até a cultura, o entregador de comida utilizou as últimas duas semanas de campanha eleitoral para decidir o seu voto.
Gabriel destacou que a revisão nos objetivos que o Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foi importante para que eleitores indecisos pegassem o título eleitoral e fosse direto às urnas.
“Analisar cada candidato é um diferencial para que pudéssemos tomar um partido na hora de votar”, diz.
Agora, Lucas Gabriel está mais do que decidido em exercer seu voto democratico. Ele acredita que, em um futuro próximo e pela avaliação nas propostas de ambos os candidatos, não estaria mais indeciso nas próximas eleições presidenciais. “Depois dos estudos e análises, eu estou mais decidido a votar”, enfatiza.

O que deve ser considerado
Na avaliação da cientista política Luciana Santana, o primeiro passo para uma decisão consciente é compreender quais projetos de país estão representados nas candidaturas e em que medida suas propostas respondem às necessidades da população.
“O eleitor precisa avaliar qual é o projeto de país que espera e ver se esses candidatos representam esses projetos. Precisa avaliar as propostas e se elas respondem aos problemas da população”, afirma.
Para a especialista, essa análise deve considerar questões como emprego, renda, saúde, educação, segurança e proteção social, além das desigualdades existentes no país. A identificação pessoal com um candidato pode influenciar a escolha, mas não deve ser o único critério.
Segundo Santana, também é necessário observar o histórico dos concorrentes, suas alianças políticas, a capacidade de governar e o compromisso com as instituições democráticas.
“Uma escolha consciente exige comparar propostas, trajetória, capacidade de governar, as alianças políticas e a capacidade de ser responsável com as instituições e com a democracia”, ressalta.
De acordo com Luciana, o resultado das urnas definirá prioridades para a condução do país, com consequências que podem chegar ao cotidiano da população. As escolhas presidenciais influenciam o orçamento público, os investimentos, as políticas de emprego, o salário mínimo, os programas sociais e a preservação ambiental.
“Estão em disputa prioridades e modelos de Estado, sobre o papel do Estado, sobre o desenvolvimento econômico, sobre a redução das desigualdades e sobre a proteção dos direitos”, explica..
Além disso, destaca que os efeitos dessas decisões podem ser percebidos nos preços dos alimentos, nas oportunidades de trabalho e na qualidade dos serviços públicos.
A cientista defende ainda que a atuação presidencial, no entanto, não ocorre de forma isolada. A implementação de políticas também depende do Congresso Nacional, dos governos estaduais e das prefeituras.
“A gente demanda também capacidade de negociação. Coordenação importa, com certeza. Habilidade do presidente, sim, sensibilidade com as populações, principalmente as populações mais vulneráveis, porque não pode governar só para quem tem renda, tem que governar para todas as pessoas”, afirma.
Polarização e responsabilidade na escolha
Em um cenário de polarização política, a circulação de opiniões, acusações e conteúdos retirados de contexto nas redes sociais também exige atenção dos eleitores. Comparar propostas e trajetórias significa observar a coerência entre discursos, decisões e resultados, além de distinguir fatos comprovados de acusações e opiniões.
“Diante de uma informação nas redes sociais, vale a pena conferir a fonte original, a data, o conteúdo, pesquisar na internet, sobretudo quando se trata de um recorte, de um vídeo, de uma mensagem que provoca indignação”, orienta Santana.
A recomendação vale inclusive para conteúdos favoráveis ao candidato da preferência do eleitor. A checagem deve ser feita independentemente do posicionamento político, para evitar que informações falsas ou apresentadas fora de contexto interfiram na decisão.

Não votei no primeiro turno e agora?
A participação de quem não compareceu às urnas no primeiro turno é outro fator importante para a votação deste domingo. Em Alagoas, mais de 500 mil eleitores deixaram de votar em outubro, mas a ausência na primeira etapa não impede, por si só, a participação na segunda.
Desde que esteja com a situação eleitoral regular, o eleitor pode votar normalmente neste domingo. Os turnos são considerados eleições independentes, e a justificativa da ausência na primeira votação deve ser apresentada separadamente.
Na avaliação da cientista política, o comparecimento desses eleitores pode ter importância em uma disputa presidencial acirrada, embora não seja possível prever qual candidatura será beneficiada.
“Politicamente, esse eleitor pode ter um papel importante, especialmente numa disputa como a que a gente está tendo, superacirrada. O comparecimento pode alterar o resultado, claro, mas não é possível presumir que todos os ausentes vão favorecer apenas um candidato”, argumenta.
Horário, documentos e local de votação
A votação do segundo turno das eleições acontece neste domingo (25), das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Em Alagoas, os eleitores devem comparecer aos mesmos locais de votação utilizados no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Para votar, é necessário apresentar um documento oficial com foto, como carteira de identidade, Carteira Nacional de Habilitação (CNH), passaporte ou carteira de trabalho. O e-Título também pode ser utilizado como documento de identificação, desde que apresente a fotografia do eleitor.
Quem tiver dúvidas sobre o endereço ou a seção eleitoral pode consultar o aplicativo e-Título ou acessar o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disponibiliza informações sobre os locais de votação e a situação eleitoral.
O título de eleitor impresso não é obrigatório. Também são aceitos documentos oficiais vencidos, desde que permitam identificar o eleitor. Já certidões de nascimento e casamento não são válidas para essa finalidade.
A consulta ao local de votação pode ser feita diretamente pelo Autoatendimento Eleitoral do TSE, na opção “Onde votar”. O serviço informa o endereço, a zona e a seção eleitoral.
Quem chegar à seção até as 17h e estiver na fila poderá votar, mesmo após o encerramento do horário previsto. Já os eleitores que não compareceram ao primeiro turno também poderão participar da votação deste domingo, desde que estejam com o título eleitoral regular.
*Estagiários sob supervisão da Editoria
