O resultado do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (25), deve influenciar as decisões de investimento, as expectativas do mercado e os rumos da economia brasileira em 2027. Apesar das diferenças entre os projetos políticos em disputa, a perspectiva é de crescimento econômico moderado, com desafios relacionados ao equilíbrio das contas públicas, ao controle da inflação e à recuperação dos investimentos. 

Em Alagoas, o turismo, o comércio e o setor de serviços apresentam oportunidades de expansão, mas também dependem da estabilidade econômica nacional.

A avaliação é do economista Jarpa Aramis, que analisou o cenário político e econômico às vésperas da definição de quem comandará o país pelos próximos quatro anos. Segundo ele, o processo eleitoral provoca cautela entre empresários e investidores, especialmente porque os candidatos representam propostas distintas para a condução da política econômica.

“De maneira geral, a economia brasileira atualmente atravessa um momento de expectativa, mas também de muita cautela em relação ao resultado das eleições. Que claramente é natural. O processo eleitoral provoca movimentações tanto no mercado financeiro e principalmente nas decisões de investimento”, afirmou Jarpa.

O economista explica que as diferenças entre as propostas dos candidatos ajudam a justificar as expectativas em torno do resultado das urnas. Entretanto, ressalta que o desempenho econômico não depende exclusivamente das decisões do presidente eleito, mas também das condições internacionais, da inflação, dos juros e da capacidade de articulação entre os poderes.

Para o próximo ano, Aramis considera possível a continuidade da expansão econômica, "mas, de forma moderada. Temos desafios ainda relacionados ao equilíbrio das contas públicas, à própria recuperação da capacidade de investimento”, avaliou.

Na análise de Jarpa, independentemente de quem vença a eleição, o próximo presidente precisará conciliar responsabilidade fiscal, crescimento econômico e políticas voltadas à melhoria das condições de vida da população. Para isso, considera fundamental a construção de um ambiente de estabilidade que permita maior segurança nas decisões de consumo e investimento.

“Estabilidade e previsibilidade são elementos fundamentais porque isso permite que empresário, investidor, consumidor tenham maior segurança para poder tomar suas decisões”, destacou o economista.

Ele também pondera que os resultados das políticas econômicas não são imediatos e que mudanças estruturais exigem tempo, não podendo ser atribuídas exclusivamente ao resultado de uma eleição.

Equilíbrio fiscal, inflação e emprego 

A administração das contas públicas será um dos principais desafios do presidente eleito, segundo Jarpa Aramis. O economista considera necessário assegurar o equilíbrio fiscal sem comprometer investimentos e serviços essenciais, o que exigirá decisões sobre arrecadação, eficiência dos gastos e definição de prioridades.

“Um outro desafio importante é criar as condições para ter desenvolvimento sustentável e principalmente estar atento ao controle da inflação. Os juros elevados terminam causando um empecilho tanto para o empresário como para as famílias acessarem aos créditos, o que termina dificultando os investimentos e compromete também parte da renda familiar quando você tem juros altos”, explicou Aramis.

Além da estabilidade dos preços, o economista aponta a necessidade de investimentos em infraestrutura, qualificação profissional, inovação e produtividade. Ele observa que o Brasil precisa ampliar sua capacidade produtiva e enfrentar as desigualdades regionais, criando condições para a geração de empregos de melhor qualidade.

Para Jarpa, embora as correntes políticas apresentem caminhos diferentes para alcançar esses objetivos, tanto o investimento público quanto o privado terão importância no desenvolvimento econômico. O resultado dessas políticas, segundo ele, deverá ser avaliado pela capacidade de produzir melhorias concretas para a sociedade.

 

 

Turismo e comércio de Alagoas 

Ao analisar especificamente Alagoas, Jarpa Aramis demonstra otimismo em relação às oportunidades de crescimento econômico, especialmente no turismo, no comércio e no setor de serviços. 

“O turismo tem demonstrado uma capacidade de movimentar diferentes segmentos. Na economia você tem hotelaria, gastronomia, transporte, comércio local, os pequenos negócios e essas características fazem com que o crescimento da atividade turística produza efeitos positivos em todos os setores”, afirmou.

O economista considera razoável projetar a continuidade desse potencial de expansão em 2027, embora ressalte que os resultados estarão condicionados à renda das famílias, ao custo das viagens, à oferta de transporte aéreo e ao desempenho da economia brasileira e internacional.

No comércio, Jarpa avalia que uma eventual redução das taxas de juros, associada à estabilidade dos preços, poderá favorecer o consumo e estimular novos investimentos. Entretanto, o estado ainda enfrenta dificuldades relacionadas à informalidade, à qualificação da mão de obra e à necessidade de diversificação das atividades econômicas.

Outro desafio apontado pelo economista é garantir que os benefícios do crescimento alcancem os municípios do interior, reduzindo a concentração das oportunidades na capital alagoana.

“É importante que todo esse movimento de crescimento alcance também o interior e não fique restrito apenas à capital, estimulando o turismo regional. A produção local também poder se conectar, fortalecer esses pequenos empreendedores”, ressaltou Aramis.

Nesse contexto, ele destaca o potencial de destinos como os cânions do São Francisco, na região de Piranhas, além de Pão de Açúcar, Penedo, Piaçabuçu e Coruripe. No litoral Norte, cita Maragogi e São Miguel dos Milagres, além das oportunidades existentes na Zona da Mata.

Para Jarpa, o crescimento do turismo precisa estar associado ao fortalecimento da produção local, à geração de empregos e à ampliação da renda. O objetivo, segundo sua análise, não deve se limitar ao aumento da atividade econômica, mas alcançar melhorias efetivas nas condições de vida da população.

O que muda no bolso dos brasileiros após o segundo turno?

Apesar das expectativas em torno do resultado eleitoral, Jarpa Aramis alerta que a definição do próximo presidente não provocará mudanças imediatas no preço dos alimentos, no emprego ou no orçamento das famílias.

“Para a população, é importante esclarecer que os efeitos de uma eleição sobre a economia, eles não são necessariamente imediatos. O preço dos alimentos, por exemplo, depende de vários fatores, como condições climáticas, custos de produção, transporte, oferta de produtos e comportamento dos mercados. Não dá para afirmar que os preços vão subir ou vão cair independente de quem for eleito”, esclareceu Jarpa.

Segundo ele, os efeitos da eleição poderão ser percebidos gradualmente, conforme o próximo governo estabeleça suas prioridades econômicas e implemente medidas relacionadas à inflação, ao crédito e aos investimentos.

Caso essas políticas consigam promover maior estabilidade dos preços e uma redução sustentável dos juros, os reflexos poderão chegar ao orçamento doméstico por meio de melhores condições de financiamento, fortalecimento da atividade econômica e preservação do poder de compra.

O economista também chama atenção para a diferença entre a redução da inflação e a queda efetiva dos preços, uma distinção importante para compreender os possíveis efeitos das políticas econômicas sobre o consumo.

“Então, assim, a inflação menor não vai dizer de maneira imediata, que os produtos ficarão mais baratos, mas que os seus preços passarão a aumentar em um ritmo mais lento. Para as famílias, a cena é mais favorável”, explicou Aramis.

Na avaliação de Jarpa, portanto, o cenário econômico após as eleições dependerá menos de mudanças imediatas e mais da capacidade do próximo governo de construir condições duradouras de estabilidade, investimento e crescimento. Para Alagoas, essas condições serão determinantes para que o potencial de expansão do turismo, do comércio e dos serviços se traduza em mais empregos, renda e oportunidades para a população.