Estar à frente e manter a distância são coisas diferentes. Flávio Bolsonaro continua liderando a média das pesquisas, mas Lula recuperou terreno. Em seis dias, a vantagem caiu de 5,2 para 2,4 pontos. A disputa apertou.
O Polling Average Rui Guerra de 18/10 aponta Flávio com 51,2% e Lula com 48,8% dos votos válidos. Sobre uma base estimada de 119,3 milhões de votos válidos, a diferença corresponde a cerca de 2,9 milhões de votos.
Em 12/10, o placar era de 52,6% a 47,4%. Lula reagiu, mas Flávio segue à frente.
O que mudou
O movimento aparece na distribuição estimada do resíduo: os 7,81% dos votos válidos destinados a Cury, Caiado e aos demais candidatos eliminados no primeiro turno.
Pelas contas do modelo, a parcela desse resíduo que iria para Flávio caiu de cerca de 72%, em 12/10, para aproximadamente 53% agora. Pela primeira vez nesta série, ficou abaixo da referência histórica de 63,5% adotada no cálculo anterior.
O resíduo, antes amplamente favorável a Flávio na estimativa, aparece agora dividido quase ao meio.
Essa transferência é uma dedução do modelo. Não é uma medição direta de como cada eleitor mudou seu voto. A conta pressupõe que os dois candidatos conservem seus votos do primeiro turno.
A base do cálculo
A média reúne 13 pesquisas nacionais divulgadas após o primeiro turno, uma por instituto, conforme a compilação do Poder360 informada como fonte.
Entram PoderData/Aya, Datafolha, Gerp, Futura, CNT/MDA, Indexa/Broadcast, Quaest, Palver, BTG/Nexus, AtlasIntel, DataTrends e Ipespe/Abrapel, além da Vox Brasil.
Os pesos consideram a data da pesquisa e a raiz quadrada do tamanho da amostra. A meia-vida é de 14 dias: mantidas as demais condições, uma pesquisa perde metade do peso nesse intervalo.
O resultado resiste aos recortes
Considerando os cálculos apresentados, Flávio permanece à frente nas três verificações:
• Apenas as nove pesquisas com início de campo a partir de 10/10: 50,95% a 49,05%.
• Sem Palver, AtlasIntel e PoderData: 51,3% a 48,7%.
• Média simples dos 13 institutos: 51,3% a 48,7%.
As vantagens ficam entre 1,9 e 2,6 pontos. Os recortes preservam a liderança, mas mostram uma disputa mais próxima.
A trajetória
Em 08/10, Flávio tinha 52,5%, contra 47,5% de Lula. Em 12/10, passou a 52,6%, contra 47,4%. Agora, registra 51,2%, contra 48,8%.
A distância caiu mais da metade em seis dias.
A questão está no destino dos votos dos candidatos eliminados. Se a divisão quase equilibrada continuar, a disputa permanece apertada. Se Flávio recuperar uma parcela maior desse eleitorado, poderá ampliar sua vantagem.
Resta acompanhar para saber qual desses comportamentos chegará às urnas?
Método: meia-vida de 14 dias, peso pela raiz da amostra, uma pesquisa por instituto e resultados em votos válidos.
Fonte informada: Poder360, compilação de 17/10/2026.
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