A mãe Nicole Maria de Lima Braga e o padrasto Manoel Pedro Tavares de Souza, acusados de matar Rhavy Abraão Alves de Lima, de 2 anos, são levados a júri nesta segunda-feira (19), no Fórum da Capital, no bairro do Barro Duro, em Maceió.

Antes do início da sessão, a promotora de Justiça Adilza de Freitas afirmou, em entrevista à TV Pajuçara, que o Ministério Público vai defender a condenação dos réus por homicídio triplamente qualificado. A acusação sustentará que o crime foi cometido por motivo fútil, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

“O Ministério Público vai defender o homicídio com as três qualificadoras: a motivação, o meio cruel e o uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima”, declarou.

Segundo Freitas, o menino foi arremessado contra o chão pelos dois adultos e apresentava lesões na cabeça. A promotora afirmou que a causa da morte foi um traumatismo hepático.

“A causa da morte foi justamente traumatismo hepático, porque o fígado foi partido em pedaços. É muito grave, né? Antes disso, já havia um histórico de violência praticada contra essa criança”, disse.

Conforme a representante do MP, Rhavy já havia sofrido pancadas na cabeça e aplicação de cola Super Bonder nos olhos. Ela também afirmou que a mãe omitiu as agressões ao procurar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde teria levantado a suspeita de hidrocefalia.

“A criança vinha sofrendo pancadas na cabeça, chegando a ficar com a cabecinha inchada. A mãe omitiu essa informação de violência vivenciada e falou lá na UPA que podia ser hidrocefalia. Mas o laudo de exame cadavérico informa que não era isso, nada de hidrocefalia”, relatou.

O julgamento é conduzido pelo juiz Geraldo Amorim, titular da 9ª Vara Criminal de Maceió. Nicole aguarda o júri em liberdade, enquanto Manoel permanece preso. A defesa dos acusados optou, durante a fase de instrução, por apresentar suas teses em plenário.

O caso

O crime ocorreu em maio de 2025, no povoado Boca do Rio, na região de Garça Torta, no litoral norte de Maceió. Segundo a denúncia, a mãe abordou uma viatura da Polícia Militar e informou que o filho precisava de atendimento médico urgente.

Os militares foram até a residência e encontraram a criança sem sinais vitais. Acionado, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou a morte e identificou hematomas e lesões pelo corpo do menino.

Além das três qualificadoras, os réus respondem com a agravante de o crime ter sido cometido contra menor de 14 anos, em contexto de violência doméstica e familiar.

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