Agora que João Henrique Caldas já é governador eleito, pode falar da prefeitura de Maceió no esquema do banco Master? Ou a banca de advogados de JHC vai à Justiça para censurar quem escrever sobre o assunto? Diante do resultado das urnas, o eleitorado, especulo, não ligou para a associação entre a gestão do então prefeito e o “investimento” de cerca de 100 milhões de reais na aventura de papéis podres.
O dinheiro público saiu do instituto de previdência do município, e deveria retornar turbinado por uma taxa de rendimento nas alturas, como prometia o banco. Mas quem lucrou com o negócio foi outra patota. A fortuna “investida” nunca voltou, muito menos com o lucro prometido. Até agora, por aqui, é todo mundo pra lá de inocente.
Maceió, deve-se ressaltar, foi um dos entes federativos que mais despejou dinheiro no Master. Perde apenas para os estados do Rio de Janeiro e do Amapá. Entre as prefeituras, aí a gente fica em primeiro lugar. Ainda assim, nada aconteceu com os gestores do instituto, nomeados por JHC quando prefeito. A apuração vai avançar?
Não vi até hoje uma declaração de Rodrigo Cunha, o jovem renovador da política que herdou o cargo de João Henrique. Seus aliados e admiradores o classificam como exemplo de ética e respeito com a coisa pública. Pois está aí ótima chance para ele exercitar essas qualidades. Pode ajudar a esclarecer quem cometeu algum deslize.
Como o escândalo de hoje supera o de ontem, o caso Master-Iprev Maceió parece caminhar para o esquecimento e a impunidade. É verdade que contribui para isso a dimensão colossal dos esquemas de Daniel Vorcaro. É a situação ideal para não se chegar a resultado nenhum sobre a maracutaia. Quem investiga tudo não investiga nada.
Esse é o panorama não apenas no caso maceioense. As notícias sobre os estados e demais municípios vão na mesma toada. Após buscas e apreensões aqui e ali, as ações foram rareando, o barulho vai sendo abafado, os suspeitos partem para outra. Vida que segue para gestores que não sabiam de nada, que agiram de boa-fé. Pode acreditar.
Quanto ao ex-prefeito e governador eleito, página virada, sem dúvida nenhuma. Se JHC se safou de aperreios com o assunto quando estava sem mandato, agora então nem se fale. Escândalo deixado para trás, o momento é de planejar uma boa gestão por toda Alagoas. Se a Braskem repetir a parceria, melhor ainda. A velha política já era.
