22 de setembro de 2026
Nota ao leitor
Este relatório não apresenta uma previsão definitiva da eleição. Ele mostra o resultado matemático de um modelo baseado nas pesquisas disponíveis em cada rodada.
A palavra “virada ”, usada no título, refere-se apenas à vantagem apontada pelos números atuais.
A disputa continua acirrada. Novas pesquisas, mudanças no grupo de institutos analisados ou outra distribuição dos votos da terceira via podem alterar o resultado.
Objetivo do relatório
O Polling Average pondera pesquisas eleitorais de diferentes institutos para estimar, a cada rodada, o resultado provável do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026.
A lógica é simples.
Uma única pesquisa carrega o erro amostral e o possível viés metodológico daquele instituto. Combinar várias pesquisas, com pesos que privilegiam as mais recentes e as de maior amostra, reduz o ruído de qualquer levantamento isolado.
Este relatório apresenta a metodologia consolidada, os dados usados nesta rodada de 22/09 o resultado, a série histórica desde 29/08/2026 e as ressalvas do método.
Metodologia
O modelo aplica duas etapas de ponderação a cada pesquisa incluída na rodada.
Peso por recência
Cada pesquisa perde peso com o tempo. O cálculo usa um decaimento com meia-vida de 14 dias:
peso de recência = 0,5^(dias/14)
Nesse cálculo, “dias” é a distância entre o ponto médio do campo da pesquisa e a data de referência da rodada.
Peso pelo tamanho da amostra
O peso por recência é multiplicado pela raiz quadrada da amostra, normalizada por 2.200:
peso da amostra = √(N/2.200)
A raiz evita que institutos com amostra muito maior, como a AtlasIntel, com 5.014 entrevistas, dominem a média de forma desproporcional.
Uma amostra grande reduz o erro amostral, mas não corrige eventual viés metodológico.
O peso final é o produto dos dois:
peso final = peso de recência × peso da amostra
Cálculo do primeiro turno
Com esses pesos, calcula-se a média ponderada de Lula e de Flávio.
Calcula-se também, separadamente, o resíduo, formado pela soma dos demais candidatos. Nessa etapa, entram apenas os institutos que publicam a divisão completa dos votos.
Rebaseamento
Os três valores — Lula, Flávio e resíduo — são rebaseados para 100, com a exclusão de indecisos, brancos e nulos do denominador.
É o mesmo princípio usado pelo TSE na apuração dos votos válidos.
Transferência do resíduo
O resíduo rebaseado é distribuído entre os dois candidatos no segundo turno.
O modelo aplica uma taxa histórica de 63,5% para o segundo colocado no primeiro turno e de 36,5% para o líder.
Essa divisão foi calibrada a partir das eleições com segundo turno realizadas desde 1989, com base nos dados oficiais do TSE.
Dois modelos, uma checagem
O resultado final compara dois caminhos independentes:
• Modelo A: transferência do resíduo pelo critério apresentado acima.
• Modelo B: ponderação direta dos números do segundo turno medidos pelos próprios institutos em cada rodada, com os mesmos pesos.
A convergência entre os modelos A e B funciona como teste de consistência do método em cada rodada.
Critérios de seleção dos institutos
A partir da rodada de 22/09/2026, passaram a valer três critérios de admissão:
• Apenas institutos com abrangência nacional.
• Exclusão de institutos cuja coleta é feita por robô ou aplicativo, sem entrevistador, como a Veritá. Esse método pode não captar bem as classes D e E.
• Exclusão de mercados de previsão do tipo “Sim ou Não”, como o Polymarket, pois não são pesquisas de opinião.
A aplicação desses critérios revelou um padrão adicional.
Ele é tratado como nota metodológica, e não como motivo automático de exclusão.
Os institutos com coleta presencial, como Alfa Inteligência e CNT/MDA, apresentaram, rodada após rodada, uma vantagem de Lula bem maior que o consenso.
As diferenças ficaram entre 10 e 14 pontos no primeiro turno, contra 1 a 5 pontos nos demais institutos.
Já os institutos com coleta digital ou por aplicativo, como AtlasIntel e PoderData/Aya, carregam o risco inverso: podem representar em excesso um eleitorado mais conectado e mais favorável a Flávio.
Por isso, a Alfa Inteligência foi excluída da base principal. Seus dados eram de julho e estavam desatualizados, o que agravava o problema.
A CNT/MDA foi mantida apenas como teste de sensibilidade.
AtlasIntel e PoderData/Aya permanecem na base, com a devida ressalva.
Dados-base da rodada de 22/09/2026
Instituto Campo N Peso Lula 1º turno Flávio 1º turno Resíduo
Datafolha 15–17/09 2.002 0,642 39% 36% 17%
Gerp* 14–16/09 2.400 0,669 37% 40% 16%
PoderData/Aya 13–16/09 3.000 0,730 37% 36% 21%
Quaest 10–13/09 2.004 0,514 36% 31% 16%
Indexa/Broadcast 10–13/09 2.000 0,513 38% 34% 14%
BTG/Nexus 04–07/09 2.002 0,382 39% 35% 22%
*A Gerp também publica um corte de “votos válidos”: Lula com 40%, Flávio com 44% e resíduo de 16%.
O modelo usa o corte de “votos totais”, por seguir o mesmo formato dos demais institutos.
O efeito dessa escolha aparece no teste de robustez apresentado adiante.
A soma ponderada de Lula, Flávio e resíduo nas seis pesquisas chega a 90,83%.
O saldo implícito de brancos, nulos e indecisos é, portanto, de cerca de 9,2%. É justamente essa diferença que o rebaseamento para 100 absorve.
Resultado dessa rodada de 22/09/2026
Modelo A — transferência do resíduo
No primeiro turno rebaseado para 100, Lula aparece com 41,37%, Flávio com 39,22% e o resíduo real com 19,39%.
Aplicada a taxa de transferência de 63,5% contra 36,5%, o resultado é:
Flávio Bolsonaro: 51,53%
Lula: 48,45%
Modelo B — ponderação direta do segundo turno medido pelos institutos
Flávio Bolsonaro: 50,9%
Lula: 49,1%
Convergência
A diferença entre os dois modelos é de 0,6 ponto percentual.
Ela está dentro do ruído esperado do próprio processo de agregação.
Essa proximidade funciona como teste de consistência do método nesta rodada. Não há necessidade de reponderar os dados nem de revisar a taxa de transferência.
Teste de robustez
Ao substituir, na pesquisa Gerp, o corte de votos totais — Lula com 37%, Flávio com 40% e resíduo de 16% — pelo corte de votos válidos — Lula com 40%, Flávio com 44% e resíduo de 16% —, o resultado do modelo A passa para:
Flávio Bolsonaro: 51,61%
Lula: 48,37%
A diferença é de apenas 0,08 ponto percentual, sem relevância prática.
Série histórica
A evolução do segundo turno projetado pelo modelo considera cinco rodadas, entre 29/08 e 22/09. Todas foram recalculadas pela mesma taxa de transferência de 63,5% contra 36,5%.
Flávio aparece na frente em quatro das cinco rodadas.
A única inversão ocorreu em 16/09. Ela foi atribuída a uma distorção pontual da base de institutos daquela rodada, que ainda incluía a Alfa Inteligência, com dados desatualizados.
Leitura da tendência
Entre 29/08 e 24/09, num período de 27 dias, Lula caiu de 43,24% para 41,37% no primeiro turno rebaseado.
Foi uma queda média de 0,07 ponto percentual por dia.
Flávio caiu de 39,75% para 39,22%.
A redução média foi de 0,02 ponto percentual por dia, num ritmo bem mais lento.
O resíduo - que justifica os movimentos - puxado sobretudo por Augusto Cury, cresceu no mesmo período e absorveu a queda dos dois candidatos.
Isso indica que a disputa entre Lula e Flávio não está sendo decidida pela transferência direta de votos de um para o outro.
Parte do eleitorado dos dois está migrando para candidaturas de terceira via.
Por isso, a taxa de transferência do resíduo no segundo turno passa a ser a variável mais sensível do modelo nas próximas rodadas.
Ressalvas e limites do método
• A meia-vida de 14 dias é uma convenção razoável, mas ainda não foi calibrada com dados brasileiros.
• Não existe ajuste sistemático do chamado efeito próprio de cada instituto, por falta de uma série histórica longa o bastante.
• O resultado é sensível à escolha dos institutos. A inclusão da CNT/MDA na base, hoje mantida apenas como teste de sensibilidade, inverteria o resultado a favor de Lula.
• O resultado é robusto diante da diferença entre os cortes de votos totais e votos válidos da Gerp. A mudança é de apenas 0,08 ponto percentual, sem relevância prática.
• A taxa de transferência do resíduo, de 63,5% contra 36,5%, foi calculada com base em eleições anteriores. Ela pode não se repetir em 2026, sobretudo se o resíduo continuar crescendo à custa dos dois principais candidatos.
Conclusão
Na rodada de 22/09/2026, o Polling Average projeta Flávio Bolsonaro na frente, com 51,53%, contra 48,45% de Lula.
A vantagem é de pouco mais de 3 pontos percentuais, ainda dentro do que a maioria das pesquisas individuais chama de empate técnico.
Os dois modelos independentes — transferência do resíduo e ponderação direta do segundo turno medido pelos institutos — apontam na mesma direção.
Essa convergência dá confiança à direção do resultado, mas não à sua diferença exata.
O dado mais sólido da série não é o placar de uma rodada isolada.
É a tendência.
Flávio aparece na frente do modelo desde 29/08, com uma única inversão pontual em 16/09.
Até aqui, a leitura correta é de uma disputa acirrada, com leve vantagem de Flávio.
Ainda não é possível projetar a vitória definitiva de nenhum dos dois lados.
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