A corrida presidencial: o que as avaliações sugerem até 16/09/2026
O Brasil chega à reta final da campanha presidencial dividido praticamente ao meio.
Não há favorito no sentido clássico do termo. Há uma moeda girando no ar. E ela vem girando assim desde o fim de agosto.
A forma mais honesta de acompanhar essa disputa não é torcer pelo número de hoje, mas observar a série.
Uma pesquisa isolada é uma fotografia. Uma sequência de pesquisas, tratada com o mesmo critério em cada rodada, é um filme.
E o filme, até aqui, mostra uma linha quase reta em torno do empate técnico.
Desde o fim de agosto, a diferença entre os dois principais candidatos ao segundo turno nunca superou dois pontos percentuais, para nenhum dos lados.
Houve momentos em que um parecia abrir vantagem. Na rodada seguinte, essa vantagem diminuía ou trocava de mãos.
É o comportamento típico de uma corrida decidida pelos detalhes, e não por uma tendência firme.
O principal detalhe tem nome: o bloco dos candidatos que não chegam à frente no primeiro turno, mas que hoje representam perto de um em cada seis ou sete eleitores.
Esse contingente não desaparece no segundo turno. Ele se realoca.
E a forma como se realoca, historicamente, favorece um pouco mais quem chega em segundo lugar no primeiro turno do que quem chega em primeiro. No fim o domínio do resíduo - soma dos candidatos que não passam - é que define a prioridade desse bloco.
Essa regra foi observada em quase todas as eleições presidenciais - dados obtidos no STE - com segundo turno desde a redemocratização.
Ela ajuda a explicar por que uma vantagem aparentemente confortável no primeiro turno pode não representar uma vantagem semelhante no segundo.
Quem lidera não deve se sentir seguro. Quem está atrás não deve se considerar derrotado.
Essa realocação também será o ponto central da disputa política nas próximas semanas.
Convencer o eleitor do terceiro, quarto ou quinto colocado a migrar para um lado ou para o outro pode valer mais, no resultado final, do que qualquer acontecimento isolado da campanha: um debate, uma polêmica ou um dado econômico do mês.
A rodada mais recente desta série, com data de corte em 16 de setembro, foi baseada em sete pesquisas de campo, uma de cada instituto.
Todas foram realizadas entre 30 de agosto e 13 de setembro: PoderData/Aya, AtlasIntel/Bloomberg, Datafolha, Genial/Quaest, Nexus/BTG, Indexa/Broadcast e CNT/MDA.
Nas quatro últimas rodadas, analisadas pelo mesmo critério de cálculo, a vantagem trocou de mãos duas vezes. E a velocidade do movimento também mudou.
Entre 29 de agosto e 3 de setembro, a diferença cresceu a favor de Flávio Bolsonaro em cerca de 0,15 ponto percentual por dia.
Entre 3 e 9 de setembro, o movimento mudou de direção e passou a favorecer Lula, num ritmo semelhante: 0,16 ponto por dia.
Entre 9 e 16 de setembro, esse ritmo dobrou, chegando a 0,34 ponto por dia.
Foi o movimento mais rápido de toda a série. E foi ele que trouxe Lula novamente para a frente.
O resultado da rodada de 16 de setembro aponta Lula com 50,7%, contra 49,3% de Flávio Bolsonaro, no segundo turno.
A diferença é de 1,4 ponto percentual. Continua dentro da mesma faixa estreita de oscilação observada desde o fim de agosto.
Nada disso representa uma previsão definitiva.
É apenas um retrato do momento, sujeito a mudanças a cada nova rodada de pesquisas.
É assim que deve ser lido: não como uma aposta, mas como um instrumento de acompanhamento.
O valor de um método está em mostrar com transparência as suas próprias mudanças. Inclusive quando elas decorrem do próprio método, e não apenas das alterações na opinião pública.
O que essas avaliações sugerem, até 16 de setembro, é que o Brasil continua indeciso entre dois projetos.
O bloco dos candidatos menores permanece como fiel da balança.
E a corrida continuará sendo decidida nas margens: nos poucos pontos percentuais que separam o empate técnico de qualquer resultado definitivo.
Os próximos boletins desta série seguirão o mesmo método e o mesmo compromisso: relatar o que os números mostram, e não aquilo que se gostaria que mostrassem.
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