O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) determinou, nesta quarta-feira (12), a revogação da prisão preventiva do influenciador alagoano Kleverton Pinheiro de Oliveira, conhecido como Kel Ferreti. Ele estava detido desde dezembro de 2025 e poderá responder ao processo em liberdade.

A decisão, no entanto, não significa o fim das restrições judiciais. A prisão foi substituída por medidas cautelares que deverão ser cumpridas pelo influenciador durante o andamento do processo.

Entre as determinações está o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar a comarca por período superior a 24 horas. Kel Ferreti também deverá manter distância da vítima e cumprir recolhimento domiciliar no período noturno, das 20h às 6h.

Com a decisão, o influenciador deixa a prisão após quase oito meses de detenção. Ele continuará sujeito às medidas impostas pela Justiça enquanto o processo estiver em andamento.

Em outubro do ano passado,  Kel Ferreti foi apontado como integrantes de um esquema milionário de rifas e sorteios ilegais movimentou mais de R$ 33,7 milhões em Maceió, segundo o Ministério Público de Alagoas (MPAL). 

Nas redes sociais, Kel se apresentava como um guru financeiro, vendendo cursos que prometiam ensinar como lucrar com jogos online. O que parecia um negócio rentável, na verdade, escondia uma engrenagem criminosa. De acordo com as investigações, os sorteios eram manipulados: os bilhetes premiados eram previamente reservados, garantindo lucros milionários para o grupo e prejuízo para os apostadores.

Na época, Cyro Blatter, coordenador do Grupo de Atuação Especial no Combate à Sonegação Fiscal e Lavagem de Dinheiro (Gaesf ) destacou a ilegalidade do esquema. “O que não é legalizado, por exemplo, ainda continuam apostas em bets chinesas, bets coreanas. Este tipo de jogo não há nenhum tipo de controle”, afirmou o representante do MPAL.

Outros crimes

A trajetória de Kel Ferreti é marcada por polêmicas. Expulso da Polícia Militar em 2023, após divulgar seu voto nas redes sociais — o que é proibido por lei eleitoral —, ele também foi condenado por estupro no mesmo ano. A vítima seria uma das mulheres enganadas nos sorteios ilegais.

Inicialmente condenado a 10 anos de prisão, Kel teve a pena reduzida para 8 anos e atualmente cumpre regime semiaberto domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. A Justiça o proibiu de se aproximar da vítima, mas ele segue ativo nas redes sociais, frequentando bares e praias de Maceió.

Mesmo após a prisão e as denúncias, Kel Ferreti mantém uma imagem pública marcada por carros importados, viagens internacionais e imóveis de luxo.