O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) indeferiu o pedido de medida liminar em habeas corpus impetrado pela defesa do influenciador digital Patrick de Almeida Silva, conhecido como "PTK".
Com a decisão monocrática proferida pelo desembargador Ivan Vasconcelos Brito Júnior, relator do caso na Câmara Criminal, o investigado permanecerá preso preventivamente no sistema prisional do estado.
PTK foi preso no dia 3 de junho de 2026 durante uma operação deflagrada pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO).
Ele é investigado pela suposta prática dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, sob a acusação de integrar a facção criminosa Comando Vermelho (CV) e atuar na movimentação de recursos financeiros oriundos do tráfico de drogas na capital.
Na petição indeferida, a defesa alegou ausência de justa causa para a manutenção da prisão, sustentando que a acusação se baseia em um diálogo interceptado em 2024 no qual o influenciador teria sido convidado por uma liderança do grupo para disputar um cargo eletivo, convite que afirma ter recusado.
Os advogados argumentaram ainda a falta de exames de identificação vocal, a inexistência de apreensão de armas e drogas, além da ausência de contemporaneidade no decreto prisional expedido pela 17ª Vara Criminal da Capital.
Ao analisar o pedido de urgência, o desembargador relator destacou que a decretação da prisão preventiva exige indícios suficientes de autoria e prova da materialidade, não sendo necessária a certeza absoluta nesta fase processual.
O magistrado ressaltou que a apuração é de elevada complexidade, reúne quase 6 mil páginas no processo originário e envolve um conjunto de diligências que vão além de um diálogo isolado.
A decisão apontou ainda que as teses levantadas pela defesa, como a nulidade na cadeia de custódia das provas digitais e a alegação de excesso de prazo na investigação, demandam um exame aprofundado do acervo probatório, análise que se mostra incompatível com a via sumária do pedido liminar.
Com o indeferimento da liminar, o relator determinou que a 17ª Vara Criminal da Capital seja notificada para prestar informações no prazo de 72 horas.
Na sequência, os autos serão encaminhados para parecer da Procuradoria de Justiça antes do julgamento do mérito do habeas corpus pelo colegiado da Câmara Criminal.
Relembre o caso
Patrick de Almeida Silva, o "PTK", foi preso no início de junho de 2026 em Maceió, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela 17ª Vara Criminal da Capital no âmbito de uma apuração conduzida pela DRACCO.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na residência do influenciador, os agentes apreenderam R$ 20 mil em espécie, aparelhos celulares de última geração e documentos.
A investigação apontou que a estrutura do Comando Vermelho vinha articulando estratégias para ocupar espaços no cenário político e social de comunidades na capital alagoana.
Áudios de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram diálogos em que lideranças da facção ofereciam estrutura e apoio financeiro para a inserção de aliados na disputa eleitoral, utilizando o alcance e a popularidade de figuras digitais para a expansão territorial e a lavagem de capitais do grupo criminoso.
