As investigações da Operação Morro do Alemão, deflagrada nesta quarta-feira (3), revelaram que a atuação da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em Alagoas ia além do tráfico de drogas tradicional, mirando a ocupação de cargos no Poder Legislativo local.
O desdobramento aponta para uma estratégia de consolidação de poder por meio da infiltração de representantes do grupo no cenário político municipal e federal.
O principal elo dessa articulação, segundo a Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), era o influenciador digital conhecido como “PTK”, preso pelas forças de segurança em Maceió.

Os levantamentos policiais apontam que a candidatura dele fazia parte de um planejamento estruturado pela cúpula da organização criminosa.
De acordo com os elementos técnicos colhidos pela inteligência da segurança pública, o influenciador foi recrutado diretamente por "Nem Catenga", apontado como o principal líder do Comando Vermelho no estado.
A meta inicial era lançar "PTK" como candidato a vereador por Maceió nas eleições de 2024, assegurando uma cadeira na Câmara Municipal para defender os interesses da facção.
Com o avanço do cronograma do grupo, o suspeito passou a utilizar o alcance de suas redes sociais para se posicionar como pré-candidato a deputado federal, indicando a intenção da facção de buscar inserção também na política nacional.
A polícia Civil e o setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AL) identificaram que a busca por blindagem e apoio político funcionava como um facilitador para a expansão territorial da facção nos bairros periféricos da capital e da região metropolitana.
O controle de redutos eleitorais serviria tanto para o financiamento quanto para a proteção das atividades ilícitas da organização.
O material coletado durante o cumprimento dos 30 mandados de busca e apreensão expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital passará por análise pericial. Aparelhos celulares, documentos e mídias digitais apreendidos com os nove detidos na operação devem subsidiar a continuidade das investigações para mapear se outros agentes públicos ou candidatos receberam financiamento ou propostas de apoio da facção em solo alagoano.
A ação policial também acontece no Rio de Janeiro e está inserida no âmbito do Projeto Captura, força tarefa coordenada pelo Ministério da Justiça, através da DIOPI/SENASP e pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, através da SSINTE/SEPOL, que visa apoiar os demais Estados da Federação na prisão de criminosos foragidos homiziados no Rio de Janeiro.
