O pleno do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) decidiu manter a condenação de 28 anos de prisão de Janadaris Sfredo, apontada como autora intelectual do assassinato do advogado Marcos André de Deus Félix. O crime ocorreu em 2014, na Praia do Francês, no município de Marechal Deodoro.

A decisão foi tomada na manhã desta quarta-feira (11), durante sessão do pleno da Corte que analisou um recurso de apelação apresentado pela defesa da ré. No pedido, os advogados solicitavam a redução da pena. O Ministério Público de Alagoas se posicionou contra a solicitação e defendeu a manutenção do resultado do júri popular realizado há oito meses.

Após a análise do caso, os desembargadores indeferiram o recurso e mantiveram a condenação de 28 anos de reclusão.

Durante a sessão, o procurador de Justiça Luiz Vasconcelos afirmou que não havia elementos capazes de modificar a decisão do júri, destacando que as provas reunidas no processo confirmam a participação da acusada como mandante do crime. Entre os pontos citados, estão registros de saques bancários realizados no mesmo dia do assassinato, que teriam sido utilizados para pagar os executores.

Segundo o procurador, a decisão unânime da Corte reforça a sentença proferida pelo júri em agosto de 2025.

O caso

De acordo com as investigações, Janadaris Sfredo teria ordenado a morte do advogado Marcos André de Deus Félix, de 40 anos, em 14 de março de 2014. A vítima foi baleada na Praia do Francês, chegou a ser socorrida e passou por atendimento no Hospital Geral do Estado (HGE) e depois no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), em Maceió, mas morreu cerca de duas semanas após o ataque.

 

Para executar o crime, segundo a acusação, foram contratados Juarez Tenório da Silva Júnior, Álvaro Douglas dos Santos e Elivaldo Francisco da Silva, que também foram presos e condenados pela participação no homicídio.

Inicialmente, o marido da acusada, Sérgio Sfredo, chegou a ser indiciado por suposto envolvimento no caso. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a soltura dele por falta de provas.

As investigações apontam que o crime teria sido motivado por desentendimentos e disputas judiciais entre a acusada e a vítima. O conflito começou em 2010, após uma ação de despejo envolvendo a Pousada Lua Cheia. Na ocasião, Marcos André atuava como advogado dos proprietários do estabelecimento, enquanto Janadaris representava os inquilinos, que perderam a ação.

Posteriormente, Janadaris passou a administrar a Pousada Ecos do Mar e se mudou para um imóvel vizinho ao do advogado. De acordo com relatos presentes no processo, a relação entre os dois se deteriorou ao longo do tempo, com episódios de provocações e conflitos que teriam culminado no crime.

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