“Quanto mais cedo o adolescente consome álcool, maior o risco de alterações que podem persistir na vida adulta.” É com essa advertência que o médico especialista em saúde mental e neurociências, Dr. Freddy Mundaka, chama atenção para os perigos do consumo precoce de álcool.

Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que cerca de 17% da população adulta brasileira consome bebidas alcoólicas, com aumento de 30% entre 2012 e 2022. Entre estudantes de 13 a 17 anos, mais de 63% relataram ter ingerido álcool nos 30 dias anteriores à pesquisa realizada pelo  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Dr. Freddy é um renomado Médico Clínico, registrado sob o CRM 6045 AL, e atualmente atua como Diretor Técnico do Instituto Mundaka. Foto: Arquivo pessoal

 

O impacto do álcool na saúde é amplo e preocupante. O especialista explica que “o cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento, e o álcool prejudica a formação das conexões neurais, afetando memória, atenção, aprendizado e autocontrole”. 

Ele acrescenta que iniciar o consumo de álcool eleva precocemente a impulsividade, intensifica a vulnerabilidade emocional e amplia a probabilidade de comportamentos de risco. No cenário pós-pandemia de covid-19, o Brasil registrou um aumento constante nas mortes relacionadas ao álcool e às drogas.

Um estudo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) entre 2015 e 2022, identificou crescimento de 18,3% em 2020, 22,4% em 2021 e 26% em 2022, totalizando mais de 25,9 mil óbitos acima do esperado. Mais de 80% das 178 mil mortes por substâncias psicoativas foram atribuídas ao álcool.

O médico também destaca que “iniciar o consumo de álcool ainda na adolescência aumenta significativamente o risco de dependência na vida adulta, porque o cérebro jovem associa a bebida à sensação de prazer ou alívio emocional”. 

O estudo da Ufal mostrou que homens representam a maioria das mortes, mas o crescimento proporcional mais intenso ocorreu entre mulheres, com média anual de 4,6%, contra 3,6% entre homens. Jovens de 20 a 39 anos e pessoas com 60 anos ou mais também apresentaram aumento expressivo.

Além dos impactos físicos, o especialista alerta para os efeitos sociais. “O álcool atua como depressor do sistema nervoso central, causando desinibição, aumento da impulsividade, ansiedade, depressão e agressividade, fatores que contribuem para conflitos familiares, violência doméstica e acidentes”.

O tratamento para dependência alcoólica, segundo Mundaka, é possível e envolve acompanhamento médico, psicológico e fortalecimento da rede de apoio. “Muitos pacientes conseguem períodos prolongados de abstinência e melhora significativa da qualidade de vida, principalmente quando o tratamento é iniciado precocemente e mantido de forma contínua”.

Reabilitação e acolhimento

Em Alagoas, a Rede Acolhe oferece tratamento gratuito para dependência química, contando com 22 comunidades terapêuticas e 750 vagas. Somente em 2025, mais de 5 mil pessoas foram encaminhadas para acompanhamento e reabilitação. 

Além do acolhimento, a rede atua na prevenção, com campanhas de conscientização, palestras em escolas e buscas ativas por dependentes químicos, ampliando o cuidado e a informação para toda a comunidade. 

Se você está enfrentando essa situação ou conhece alguém que precisa de ajuda, não hesite em procurar apoio. Entre em contato com a Rede Acolhe pelo número (82) 98802-8755. Buscar ajuda é o primeiro passo para se livrar da dependência alcoólica.

*Estagiário sob supervisão da editoria

Foto de Capa: Sandro Araújo/Agência Saúde DF