Nunca houve tanta gente com o telefone na mão e a certeza na cabeça de que entende de política, comunicação e estratégia. O problema é que, como diria seu Zé Antônio, “é muita gente com sabedoria do tamanho de um oceano e a profundidade de um pires”.
Basta um story, um meme ou uma frase de efeito pra brotar um “consultor político” de plantão. Gente que nunca coordenou uma esquina de campanha, mas jura saber o segredo da vitória. É o novo perfil do “estrategista digital”: não sabe ler a primeira página de uma pesquisa, não entende o que é margem de erro, dá palpite sobre discurso sem saber o que é coerência narrativa e fala em “engajamento” como quem confunde curtida com voto.
A superficialidade virou método. E a internet virou o grande palanque dos especialistas instantâneos. O que antes exigia leitura, experiência e sensibilidade virou apenas questão de “achar bonito no Instagram”.
E, nessa era de sabedoria rasa e vaidade infinita, talvez o conselho mais sensato ainda venha do velho Zé Antônio: cuidado com quem acha que entende de tudo. É gente que fala de política como quem mexe café: sem critério, só pra fazer barulho.




