Muita coisa nova chegou no mercado nos últimos anos. As finanças descentralizadas, ou DeFi, foi uma delas e afetou bastante o setor financeiro em todo o mundo. Operando em plataformas de blockchain, como o Ethereum, o DeFi busca democratizar o acesso a serviços financeiros, removendo a necessidade de intermediários tradicionais, como bancos e corretoras.

DeFi refere-se a um ecossistema financeiro baseado em blockchain, onde as transações financeiras são executadas por meio de contratos inteligentes, sem a necessidade de instituições centralizadas para mediar essas operações. Em vez de confiar em bancos ou autoridades reguladoras, os usuários confiam em códigos de computador e em uma rede descentralizada de validadores. Isso torna o sistema mais seguro, transparente e acessível para pessoas em qualquer parte do mundo.

No Brasil, a popularidade do DeFi tem crescido rapidamente, especialmente com os brasileiros buscando alternativas ao sistema bancário tradicional. De acordo com dados do CoinGecko, o Brasil está entre os 10 países com maior adoção de criptomoedas no mundo, refletindo o interesse no uso de plataformas DeFi para investimento, empréstimos e outras operações financeiras.

Em 2022, o volume de transações em criptomoedas no país superou os R$ 200 bilhões, segundo um estudo da Receita Federal. Os brasileiros têm estado cada vez mais atento as próximas criptomoedas a serem listadas na Binance, a principal Exchange no Brasil, em busca de projetos interessantes. O lançamento de novas moedas na plataforma frequentemente gera grande expectativa, especialmente porque a Binance é conhecida por realizar uma seleção criteriosa das criptos que passam a ser negociadas.

Nos últimos meses, a Binance listou uma série de criptomoedas promissoras, algumas que são blockchains de alta performance com foco em escalabilidade e usabilidade, conquistando a atenção de investidores que buscam projetos com tecnologia avançada. Além disso, a Binance tem dado destaque para criptos ligadas a setores em crescimento, como jogos blockchain e tokens de governança de plataformas DeFi.

Mas o principal atrativo do DeFi é a eliminação de intermediários. Em vez de depender de bancos para aprovar empréstimos ou realizar transferências, o DeFi permite que essas transações ocorram diretamente entre os usuários, de maneira rápida e com menores taxas. Isso é especialmente vantajoso em países com sistemas bancários caros ou ineficientes, como muitas vezes ocorre no Brasil.

Outro benefício é a acessibilidade. O DeFi permite que qualquer pessoa com acesso à internet e um smartphone possa acessar serviços financeiros, independentemente de sua localização ou status socioeconômico. Com mais de 34 milhões de brasileiros desbancarizados, segundo dados do Banco Central, o DeFi pode representar uma boa solução para inclusão financeira.

No entanto, o DeFi ainda enfrenta grandes desafios. A volatilidade das criptomoedas, a falta de regulamentação clara e os riscos de segurança são algumas das principais preocupações. De acordo com um estudo da Chainalysis, fraudes e hacks em plataformas DeFi resultaram em perdas superiores a US$ 3 bilhões apenas em 2022. Isso cria incertezas e limitações para que o DeFi seja adotado em larga escala no Brasil e no mundo.

Além disso, o acesso à tecnologia ainda é uma barreira. Embora o Brasil seja um dos países com maior penetração de smartphones, com mais de 90% da população conectada à internet, o conhecimento técnico sobre como usar plataformas DeFi ainda é limitado. Isso abre espaço para problemas de usabilidade e adoção em massa.

Para muitos especialistas, o DeFi não substituirá completamente os bancos, mas sim coexistirá com eles. Grandes instituições financeiras, como o Deutsche Bank, já estão explorando formas de integrar tecnologias DeFi em suas operações. O CEO da instituição, Paul Maley, afirmou em 2021 que qualquer banco que queira competir no futuro precisará interagir com sistemas DeFi conforme eles emergem.

Isso sugere que o setor bancário tradicional reconhece o potencial do DeFi e busca maneiras de adaptar-se à nova realidade. No Brasil, alguns bancos digitais já estão adotando soluções baseadas em blockchain, como o Banco Original, que investiu em uma plataforma de câmbio utilizando essa tecnologia.

Além disso, o Banco Central está desenvolvendo o Real Digital, uma moeda digital oficial, que pode interagir diretamente com o ecossistema de finanças descentralizadas, criando uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e o DeFi.