A disputa pela prefeitura de São Paulo é o melhor retrato de um fenômeno que ocorre em todo o país. Uma penca de candidatos está numa eleição paralela ao cargo de prefeito ou prefeita. Antes de tentar capturar o voto do eleitorado, os concorrentes se estapeiam pelo título de o “verdadeiro nome da verdadeira direita”. Poucos anos atrás ninguém acreditaria que o Brasil fosse chegar a esse quadro político.
Os bolsonarista têm razão. De fato, extremistas de direita perderam a vergonha de expor suas ideias. (Como diria Paulo Guedes, chega de doméstica viajando de avião). Esses patriotas saíram do armário como nunca se viu na história política nacional. Sim, o panorama é mundial, como se vê nos Estados Unidos de Trump – para ficar no exemplo mais escancarado. Mas voltemos ao nosso rancho, com o cenário que veio para ficar.
A capital dos paulistanos está engarrafada de pré-candidatos em busca do troféu de campeão do duelo direitista. O atual prefeito Ricardo Nunes, do MDB, tenta a reeleição na mesma faixa dos seguintes nomes: Kim Kataguiri, Luiz Datena, Marina Helena, Pablo Marçal e Fernando Fantauzzi. Os partidos vão do União Brasil à Democracia Cristã, mas isso é o que menos importa. São seis aspirantes ao posto máximo no reacionarismo.
Pela esquerda, vão Guilherme Boulos e Tabata Amaral. Há controvérsia sobre Tabata, mas vamos simplificar porque a gloriosa direita é nosso tema agora. Nas entrevistas dos nomes que formam o sexteto verde e amarelo, o mais engraçado são as acusações. Cada um se considera o verdadeiro “liberal” e “conservador”, e ataca o outro de ser “falsa direita”. O auge do surrealismo são os ataques mútuos de “comunista”.
Além da piada, o que está em jogo é o voto dos seguidores de Bolsonaro. O “mito” tenta impor um vice como condição para apoiar o prefeito. Já os pré-candidatos repetem o discurso e as ideias do golpista. O cardápio previsível mistura ataques ao Judiciário, moralismo, criminalização de minorias, privatização geral na saúde e na educação e pregação de violência policial. Pois é. São os temas para uma gestão municipal.
Como se nota, os paulistanos têm opções de sobra caso decidam abraçar a direita orgulhosa de ser extremista. Ofensa para qualquer um dos nomes é ser tratado como de centro. Por enquanto, os seis alinhados contra a esquerda atiram uns contra os outros.
Para fechar, reitero que o fenômeno é de norte a sul. A disputa entre ultrarreacionários dá sinais em Alagoas, o que merece texto exclusivo. Mas vou respirar um pouco.
