Blog do Celio Gomes
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Querem acabar com o food truck em Maceió

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Food truck na praia de Pajuçara
Food truck na praia de Pajuçara / Foto: Paula Góes

Tem cerveja artesanal. Drinks extravagantes. Petiscos para acompanhar. Há também uma variedade de sanduíches, doces, salgados, misturas inesperadas e algumas invencionices típicas do planeta da gastronomia. No food truck, o cardápio é sinônimo de diversidade. É regionalista e internacional. O detalhe é que tudo isso não está entre as quatro paredes de um restaurante qualquer. Toda essa oferta para comer e beber celebra o espaço aberto na cidade. O parque. A praça. A calçada. A beirada do meio-fio. O food truck é um negócio da noite, ao ar livre. 

Sucesso de público, a atividade se espalhou por todas as regiões de Maceió. Do Eustáquio Gomes à Ponta Verde, quiosques mais ou menos estilizados chegaram pra ficar. Originalmente, como o termo em inglês indica, são veículos pequenos adaptados para vender algum tipo de alimento. Quando a tarde se vai, alguns lugares começam a lotar rapidamente.

Pois não é que o food truck, consagrado mundialmente, pode estar com os dias contados na capital alagoana?! O Ministério Público Estadual acaba de dar 30 dias para que a prefeitura retire de circulação todos os comerciantes – desse segmento específico – que ocupem o espaço público “ilegalmente”. Na prática, pega quase todo mundo. Se a prefeitura cumprir a recomendação, vai matar uma alternativa da atividade econômica. E, o mais grave, vai acabar com a fonte de renda de milhares de pessoas.

O promotor Jorge Dória alega que existe a Lei Municipal 6.633/2017 que vem sendo descumprida desde sempre. Diz ainda que o MP não é contra o food truck, muito pelo contrário, defende o empreendedor etc. etc. etc. Mas... Ele afirma que não é possível deixar tudo como está. Exige do município que detone operação de limpeza geral.

Num vídeo divulgado pelo próprio promotor, ele parece um tanto irritado com críticas sobre essa, digamos, valentia toda contra pequenos comerciantes. O MP fala também em “inúmeras reclamações” de moradores. Quem? Quantos? Moradores de quais bairros? Até agora o promotor não disse. Já os reais insatisfeitos, maiores interessados no desmonte de tal comércio, ficam na moita, fingem que não é com eles. É tudo muito vago, nebuloso, intempestivo.

Mas afinal quem ganha com a ofensiva contra esse segmento? Elementar: isso interessa, e muito, aos donos de restaurante. Essa turma faz lobby para a extinção da atividade “concorrente”. E ricaços residentes da “área nobre” também exigem uma “faxina” na paisagem, com a retirada do comércio. Até os palitos de churrasquinhos servidos nos food trucks da Pajuçara sabem disso.

Resumindo, temos um caso clássico de gigantes agindo para garantir privilégio e exclusividade sobre algo que deveria ser diverso e democrático. Espero que a prefeitura aja com o devido bom senso, sem o “prendo e arrebento” pra cima do mais fraco.

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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