Meu caro, Rafael Brito, tu bem sabes, que sou professora concursada e aposentada do estado,  e em tempos idos, faz bem uns vinte anos, fui cedida pela SEE para professorar no Programa de Integração AABB Comunidade .

E que experiência rica, meu caro, conviver com tantas realidades diferentes de crianças e adolescentes assistidos, em suas necessidades mais prementes. E experienciar novos olhares do fazer educação com educador@s, compromissad@s que desafiavam a geografia da miséria, violência, exclusão social.

O Programa de Integração AABB Comunidade é, na verdade um grande abraço, que abriga, acolhe, inclui, oportuniza e estabelece caminhos de voos.

Foi assim, com a Mikaela, que conheci aos 10 anos, uma delicadeza de criança e sonhos gigantes, apesar de toda miséria, que arbitrária, delimitava espaços.

Pude acompanhar o crescer de Mikaela, que, atualmente, mora, confortavelmente, no Rio de Janeiro. Vive a vida de gente grande, como tanto ela queria. Mikaela não se cansa de dizer que é extremamente grata a AABB que considera sua segunda casa.

Educação emancipatória!

As crianças assistidas pelo Programa são muito pobres, Rafael. De marré-marré-deci. Penúria econômica e inanição de afetos.

No Programa de Integração AABB Comunidade as crianças são intérpretes de sonhos e tem a oportunidade de conviver com uma série de possibilidade de revolucionar passos, para além da marginalização..

Tempos depois, convidada, fui trabalhar na sede da SEE, mas, levei comigo o sentimento de gratidão à  essa grande educadora chamada Veraleide Nazaré, que me foi didática e parceira nos ensinamentos.

Rafael Brito, lembra da nossa última reunião, em teu gabinete, quando falávamos que para superar a desigualdade  social na educação o verbo é incluir.

O Programa  AABB Comunidade conjuga esse verbo, por excelência,  faz 26 anos, meu caro secretário.

E a gente tem que dar a mão a palmatória que, a politica de cooperação educacional, com um programa como esse não pode acabar, não, é?

Pode?

Abraços, querido.