"O Mistério Público quer que a sociedade diga qual tipo de polícia ela quer", diz promotora em julgamento de PM

Redação |
Julgamento de PM
Julgamento de PM / Foto: Assessoria

Começa às 8h desta quinta-feira (25), o julgamento do policial militar Johnerson Simões Marcelino, acusado de matar os irmãos Josivaldo Ferreira Aleixo e Josenildo Ferreira Aleixo e o pedreiro Reinaldo da Silva Ferreira será levado a julgamento. O crime ocorreu em 25 de março de 2016, no Village Campestre.

O julgamento do militar ocorre cinco anos após o crime, que chocou os moradores da parte alta de Maceió devido a truculência feita na abordagem. Josenildo e Josivaldo foram mortos quando seguiam para casa de familiares. 

Em entrevista a imprensa, antes do julgamento, a promotora de Justiça Adilza Inácio de Freitas disse esperar que a população diga que tipo de polícia quer, “se a polícia que protege ou a polícia que mata”.

A promotora afirmou que quer a tripliqualificação do crime, que teve motivo fútil e uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas

Na época, a polícia divulgou que os jovens estavam armados e durante a abordagem teriam reagido, trocado tiros e acabaram morrendo. A polícia afirmou que a abordagem ocorreu dentro da legalidade e que os policiais do 5º Batalhão receberam a informação de que eles estariam transportando armas do Village para o Benedito Bentes.

A família negou a informação e afirmou que ambos possuíam problemas mentais e que desde criança faziam acompanhamento médico.

Pelo que foi apurado à época pela 49ª Promotoria de Justiça da Capital, eles não possuíam antecedentes criminais, e, um deles, inclusive, era menor de idade. Também não há relatos de que os irmãos teriam reagido a abordagem policial.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, no dia do crime, o cabo Johnerson Simões integrava uma guarnição da Polícia Militar e fazia uma patrulha de rotina nas ruas do conjunto Benedito Bentes, quando recebeu a informação que dois assaltantes estavam agindo nos Conjuntos Village Campestre II. Ao chegar no local informado, junto aos outros PMs, o denunciado abordou os dois irmãos e, a partir daí, teria ocorrido “uma série de ações desastrosas que culminaram nos homicídios”.

Pelo crime, o Ministério Público Estadual pedirá a condenação do acusado por homicídio triplamente qualificado. 

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