MP pede que militar acusado de matar irmãos e trabalhador no Village responda por homicídio triplamente qualificado

Redação*|
Josenildo e Josivaldo Ferreira foram mortos em abordagem policial
Josenildo e Josivaldo Ferreira foram mortos em abordagem policial / Foto: Reprodução TV Gazeta

Nesta quinta-feira, dia 25, o policial militar Johnerson Simões Marcelino, acusado de matar os irmãos Josivaldo Ferreira Aleixo e Josenildo Ferreira Aleixo e o pedreiro Reinaldo da Silva Ferreira será levado a julgamento. O crime ocorreu em 25 de março de 2016, no Village Campestre. O militar também é acusado de tentar implantar provas na cena do crime contra as vítimas.

A promotora de Justiça Adilza Inácio de Freitas, da 42ª Promotoria de Justiça da capital, que estará no papel da acusação declarou que “em todas as Instituições há maus e bons profissionais. Na Polícia Militar de Alagoas não seria diferente. Os dois irmãos, ambos pessoas de deficiência intelectual, no momento da abordagem, atenderam a ordem para revista, mas foram agredidos violentamente e executados no local. Por erro na execução do assassinato deles, o acusado também matou uma outra pessoa, o senhor Reinaldo, trabalhador que exercia a profissão de pedreiro. O réu ainda implantou no local do crime uma arma de fogo e munições como se pertencessem aos irmãos. Mas, testemunhas que presenciaram a barbárie disseram que eles estavam desarmados”. 

“Apos execução do crime, o réu colocou os dois irmãos feridos na mala da viatura e, depois de trafegar alguns metros com as vítimas inocentes dentro do carro, ele retornou à cena do assassinato para recolher as cápsulas dos projéteis deflagrados. Indaga-se: o que era mais importante para o acusado naquele momento, salvar as vítimas ou recolher as cápsulas?”, questionou a promotora.

Diante dos fatos, “o Ministério Público pedirá a condenação do acusado por crime de homicídio triplamente qualificado, por incidir no caso concreto as circunstâncias qualificadoras do motivo fútil, uso de emprego de meio que resultou perigo comum e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. E ainda devendo ser condenado por fraude processual”. 

A assessoria de Comunicação informou que o MPAL também pedirá a condenação do PM por homicídio culposo contra a vítima Reinaldo.

O caso


Josenildo e Josivaldo foram mortos no dia 25 de março de 2016, no bairro Village Campestre, quando seguiam para casa de familiares. A polícia divulgou que os jovens estavam armados e durante a abordagem teriam reagido, trocado tiros e acabaram morrendo. A polícia afirmou que a abordagem ocorreu dentro da legalidade e que os policiais do 5º Batalhão receberam a informação de que eles estariam transportando armas do Village para o Benedito Bentes.

A família negou a informação e afirmou que ambos possuíam problemas mentais e que desde criança faziam acompanhamento médico.

Pelo que foi apurado à época pela 49ª Promotoria de Justiça da Capital, eles não possuíam antecedentes criminais, e, um deles, inclusive, era menor de idade. Também não há relatos de que os irmãos teriam reagido a abordagem policial.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, no dia do crime, o cabo Johnerson Simões integrava uma guarnição da Polícia Militar e fazia uma patrulha de rotina nas ruas do conjunto Benedito Bentes, quando recebeu a informação que dois assaltantes estavam agindo nos Conjuntos Village Campestre II. Ao chegar no local informado, junto aos outros PMs, o denunciado abordou os dois irmãos e, a partir daí, teria ocorrido “uma série de ações desastrosas que culminaram nos homicídios”.

*Com assessoria

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