Blog do Celio Gomes
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O juizinho corrupto e a piada da “terceira via”

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O debate sobre o nada é algo recorrente no Brasil. A última novidade nessa tendência nacional é o falatório sobre uma tal “terceira via” para as eleições do ano que vem. Como se lê todo dia na imprensa, a ideia está na cabeça de políticos, analistas, agentes do mercado e palpiteiros de um modo geral. Segundo os defensores da tese, é urgente uma alternativa capaz de superar a chamada polarização entre Bolsonaro e Lula. 

Essa conversa ganhou força após as decisões do STF que anularam as condenações contra o ex-presidente – a maior vítima da bandidagem jurídica chefiada por Sérgio Moro. Nunca é demais lembrar: na Operação Lava Jato, esse crápula cometeu fraude processual durante toda a investigação e fabricou “provas” onde só havia conversa fiada de delatores. Após agir como cabo eleitoral de Jair Bolsonaro, virou ministro do governo que ajudou a eleger de maneira indecente.

Demorou, mas finalmente em junho deste ano o Supremo declarou Moro suspeito para julgar Lula. Assim, a sentença vigarista do então juizinho de Curitiba ganhou o destino adequado, que é naturalmente a lata de lixo. Aliás, me ocorre agora que as faculdades de Direito deveriam levar o trabalho de Moro às salas de aula para que estudantes aprendessem uma valiosa lição: “Saiba tudo o que um magistrado não deve fazer no exercício da magistratura”. 

Por tudo isso, é uma piada e tanto que o juizinho delinquente ainda seja cotado como presidenciável em 2022. Era o que faltava: um juiz corrupto, sentenciado pela suprema corte do país, ousa se lançar candidato a presidente da República. E o mais tosco é que essa ideia conta com o apoio de segmentos da grande imprensa e de aventureiros da ciranda financeira, o tal do “mercado”.

Além do juiz suspeito, outros nomes para a “terceira via” são Luiz Henrique Mandetta (que aceitou servir a Bolsonaro como ministro da Saúde) e Eduardo Leite, o governador do Rio Grande do Sul que votou no capitão da tortura em 2018. Como se vê, os principais cotados nessa lorota, até um desses, eram afinados com o histórico criminoso do vagabundo que vandaliza o Planalto. Agora, se fingem de democratas e pregam a “não-polarização”. Dá até uma canseira...

Bora falar sério. “Terceira via” é uma jogada dos setores mais reacionários e truculentos da sociedade brasileira. O que se quer é apenas barrar uma candidatura de centro-esquerda, seja Lula ou qualquer outro nome desse campo político-ideológico. Até agora, nenhuma das figuras cogitadas como uma “nova opção” saiu do quase traço nas pesquisas eleitorais. Por enquanto, Lula é favorito, e Bolsonaro vê a chance de reeleição derreter.

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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