Filipe Valões
Filipe Valões

É melhor um inimigo declarado do que um amigo ingrato

Filipe Valões|

Sim, o título desse texto faz referência à outra expressão popular, de que é melhor ter a certeza de uma inimizade do que desconhecer a maldade de alguém que se faz de amigo. Mas, olhando bem, a ingratidão vinda de alguém que prezamos, se encaixa nessa descrição, de certa forma.

Ao longo da vida, no ambiente familiar, nos locais de aprendizado, na vizinhança e até mesmo no trabalho, esbarramos com a decepção de confiar em alguém, dedicar respeito e admiração, ajudar no momento de maior necessidade, para de repente receber a pancada: a pessoa que consideramos na mais alta estima, sendo ingrata.

Claro, pra quem é cristão, existe a regra de vida “fazer o bem, sem olhar a quem”. É uma forma de educar a mente e o espírito humano, preparar o emocional, deixar claro que é indispensável fazer o que é certo, ser solidário e justo, ajudando quem quer que precise, sem jamais esperar retorno ou retribuição. É a única maneira de manter a sanidade e a humanidade, pela quantidade de vezes em que mesmo tendo estendido a mão para alguém que conhecemos, acabamos magoados pela ausência de gratidão mais básica.

Então, não se trata de querer algo em troca, mas de ter ao menos o respeito e a consideração que se espera de um coração agradecido. Aí, chegamos no ponto que dói realmente. Confiança traída é mais dolorosa por sabermos que partiu de nós a decisão de acreditar no outro.

De um desafeto, de alguém que abertamente demonstra antipatia, de um oponente nos negócios, de um parente que não esconde a rejeição a outro, não se espera obviamente que surja vínculo emocional ou sentimento de agradecimento. E isso, de certa forma, traz um “terreno conhecido”, você sabe onde está caminhando e com quem está lidando. Você não desperdiça confiança.

Mas a amizade, em todas as suas mais variadas formas, seja na família, nos círculos de interesses mútuos, nos estudos ou na vida profissional, é literalmente um voto de confiança. E descobrir que uma pessoa considerada como amiga ou amigo na verdade não valoriza essa amizade, faz a pessoa decepcionada, literalmente, perder o chão. Não sabe mais onde está pisando. Vem a dúvida e a hesitação.

Então, para todos os efeitos, sim, é melhor ter um inimigo conhecido do que alguém que se faz de amigo, para um dia revelar quem realmente é, com um dos piores defeitos da humanidade. A ingratidão, em todo e qualquer sentido, destrói, mesmo que um dos lados realmente acreditasse nela.

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Coluna sobre Política, Tecnologia

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