Filipe Valões
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Em 9 de julho Braskem terá novo dono, mas quem vai pagar pelos bairros afundando?

Filipe Valões|

A venda de uma empresa multinacional, normalmente, é assunto que passa longe dos interesses da população em geral. É conversa pra quem lida com bolsa de valores, tem interesse em megacorporações, se envolve com números na casa dos bilhões. Normalmente. Mas em Maceió, as vidas dos moradores de 5 bairros deixou de ser normal faz alguns anos.

Para quem perdeu ou está prestes a perder sua moradia no Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Farol, o processo de venda da Braskem tornou-se assunto de maior interesse. O que, você não sabia que a empresa apontada como causadora da maior catástrofe urbana do Brasil, que está às voltas com indenizações para milhares de famílias, mesmo não tendo admitido oficialmente culpa direta pela tragédia, foi colocada à venda? Vem cá, que te conto a história toda.

Desde 2018, quando surgiu a intenção de vender a Braskem, até o momento atual em que a venda tornou-se realidade e está prestes a acontecer, muita coisa mudou. A “dona” da empresa, a Odebrecht, mudou o nome para Novonor. Maceió viu cinco bairros serem condenados após um terremoto, o surgimento de rachaduras em casas e prédios, buracos e crateras se espalharem pelas ruas, até o inevitável êxodo de milhares de famílias expulsas de seus lares.

Enquanto os bairros-fantasmas foram surgindo, a Braskem teve seus altos e baixos, com seu valor estimado de mercado próximo a R$ 48 bilhões em 2018 caindo para algo em torno de R$ 15 bilhões em 2020, para agora surpreender a todos com um valor aproximado de R$ 45 bilhões em junho de 2021. E é esse valor que está sendo avaliado por seus prováveis compradores. Dia 09 de julho é o dia limite para a entrega de propostas de compra pelos prováveis futuros donos da Braskem.

Mas, caso você talvez esteja se perguntando, “o que isso tem a ver com os maceioenses?”, a resposta é simples: A antiga Odebrecht, atual Novonor, vai passar a Braskem à um novo dono junto com a responsabilidade pelo Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Farol. O que gera uma outra pergunta: quem garante que a responsabilidade será honrada?

Entra em cena o poder público, mais especificamente os representantes dos alagoanos em Brasília. Um deles, em especial, esteve à frente do caso por muito tempo, mas não tem sido visto atuando com a mesma visibilidade. O senador Rodrigo Cunha, que teve presença constante em reuniões, debates, sessões públicas e principalmente nas redes sociais quando o assunto era o afundamento dos bairros, nos últimos dois anos, agora está um tanto quanto distante.

Seria o momento ideal para que o senador voltasse à carga, não apenas para continuar cobrando as devidas providências por parte da Braskem, mas para atuar de forma preventiva no que pode se tornar mais um motivo de angústia para os maceioenses vítimas da tragédia nos cinco bairros.

A Braskem está à venda. Quem vai acompanhar esse processo e zelar pelos interesse dos maceioenses? Quem vai garantir que não aconteçam atrasos, que o novo dono da Braskem não comece a “empurrar com a barriga” um processo que já tem sido lento?

Um cenário que já é revoltante, desesperador e absurdo, corre o risco de se tornar ainda mais complicado e incerto para quem realmente está sofrendo sem ter a menor culpa.

Senador Rodrigo Cunha, as vítimas dos afundamentos podem contar com o senhor?

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Coluna sobre Política, Tecnologia

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