Filipe Valões
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ATENÇÃO SENADO: Os enfermeiros merecem o piso salarial

Filipe Valões|

A relação entre a importância dos trabalhadores da saúde e a forma como são recompensados financeiramente sempre foi, no mínimo, desproporcional. Todos enfrentam uma realidade na qual apenas eles possuem qualificação, assumem a responsabilidade pelas vidas dos pacientes, sofrem estresse sem comparação e, convenhamos, literalmente nunca recebem o equivalente diante de tudo isso. E nessa situação crônica, alguns profissionais sofrem ainda mais do que outros. É o caso de quem atua com enfermagem e seus segmentos.

Há cerca de 30 anos, gerações de enfermeiros e enfermeiras, técnicos e auxiliares de enfermagem, além de parteiras, lutam para realizar o sonho de terem um piso salarial nacional que, ao menos, garanta dignidade e reconhecimento. Uma forma de trazer relativa tranquilidade para quem ganha a vida salvando vidas, portanto precisa estar de cabeça fria enquanto cuida dos pacientes.

Com a pandemia do coronavírus, o que antes sempre foi uma guerra fria e restrita ao dia-a-dia, tornou-se uma guerra mundial, cobrando caro de quem possui essa vocação tão abençoada quanto pesada. Além de estar em uma luta constante e sem tréguas contra o covid-19, cada profissional da enfermagem passou também a ser alvo, a integrar um grupo de risco pela proximidade e contato direto com pessoas contaminadas. Não são poucos os que estão perdendo suas vidas, ao tentar salvar as dos pacientes. E são muitos, muitos mais, os que estão sofrendo danos emocionais e psicológicos, diante de tanto sofrimento e morte, nas UTIs e hospitais de campanha.

Profissionais de saúde entendem e encaram o fato de que a morte é uma possibilidade diária, quando cuidam de pacientes. Mas sempre contaram com a esperança de lutar contra a morte e vencer a cada dia, uma vida de cada vez. Mas o que temos desde o começo da pandemia é um cenário de horror, no qual a esperança perde, as mortes aumentam e o ânimo de médicos e enfermeiros se encontra abalado.

Some-se a isso outro temor, aquele que não sumiu por conta da pandemia: manter a própria casa, garantir o próprio sustento e o de seus familiares. Como esperar e exigir dos profissionais da saúde que sigam em frente nessa guerra, quando não garantimos a eles ao menos a certeza de que seus lares possuem estabilidade financeira? Enfermeiros, técnicos e auxiliares sempre se viram obrigados a pegar turnos cada vez mais próximos, se dividindo entre dois, até mesmo três empregos diferentes. Já era pressão demais, imagina hoje em plena pandemia?

O momento, portanto, é simbólico e ideal para a realização desse anseio dos enfermeiros, técnicos e auxiliares. O Senado Federal se prepara para votar o Projeto de Lei nº 2564, de autoria do senador Fabiano Contarato e de relatoria da senadora Zenaide Maia, que propõe pisos salariais de R$ 7.315,00 para enfermeiros, R$ 5.120,50 para técnicos e R$ 3.657,50 para auxiliares e parteiras, sob jornada de 30 horas semanais de trabalho.

De um lado, as categorias se mobilizam e torcem pela aprovação. Do outro, os empresários e patrões se movimentam contra, alegando que estão amargando prejuízos em decorrência da pandemia. No meio, os relatórios que apontam outro cenário financeiro, no qual os planos de saúde e hospitais particulares lucraram em 2020.

Com a palavra e a responsabilidade de valorizar enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras, estão os senadores que apreciarão e votarão o Projeto de Lei.

É a hora de cuidarmos de quem sempre esteve na linha de frente, salvando vidas.

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Coluna sobre Política, Tecnologia

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