O senador Renan Calheiros retirou sua candidatura a presidente do Senado. Foi uma decisão surpreendente e que acaba por aumentar a confusão instalada no plenário. O mais maluco é que o parlamentar alagoano anunciou sua desistência quando já ocorria a segunda votação, depois que a primeira foi anulada por suspeita de fraude. O novo processo parou mais uma vez e não se sabe como a sessão chegará ao fim. Já estamos diante de fatos inéditos na história do Congresso.
A resposta mais óbvia para explicar o gesto de Renan é que ele farejou os sinais de uma derrota inevitável. Isso ocorreu porque, embora a votação seja oficialmente secreta, dezenas de senadores declararam o escolhido na hora de depositar a papelada na urna. A essa altura, já se fala do erro cometido pelo MDB ao bancar a candidatura do alagoano. O nome de Simone Tebet seria bem mais leve do que o do cacique veterano. A insistência em Renan gerou reação fortemente negativa.
Segundo a Globonews, logo depois de renunciar à candidatura, Renan deixou o plenário. Não se sabe se ele abandonou mesmo de vez a sessão ou se ainda tenta alguma jogada de última hora. Não parece haver mais chance de uma reviravolta que beneficie o parlamentar do MDB. Em situação inversa, Davi Alcolumbre já recebe cumprimentos como virtual eleito – o que não deixa de ser uma tremenda precipitação. Por tudo o que já ocorreu, não se pode garantir nada nem coisa nenhuma.
Neste momento, o processo está parado. O plenário e a mesa batem cabeça. O senador Espiridião Amim, que é um dos candidatos, defende que tudo recomece do zero. O que a mesa propõe, no entanto, é a sequência da votação, mesmo que Renan tenha renunciado quando isso já estava em andamento. A votação recomeça no momento em que termino o texto. Pode haver segundo turno, se ninguém obtiver 41 votos na primeira rodada. Depois do desfecho, voltarei para comentar.