Vem aí a redenção econômica de Alagoas, em forma de estaleiro. Vamos construir e vender navios. Também estão garantidos aeroportos em Penedo, Arapiraca e Maragogi. Outra novidade é o Marco Zero do Turismo de Maceió, um grandioso investimento à beira-mar de Ponta Verde.
Ao longo dos últimos anos, esses e outros projetos tramados por sucessivos governos estaduais e municipais ficaram no meio do caminho. Em todas essas fraudes, houve uma perversidade em comum: muito dinheiro foi jogado fora na publicidade de algo que jamais virou realidade.
Se você pesquisar, a lista desse tipo de obscenidade vai muito longe. Agora mesmo, algum agente da máquina burocrática está em alguma biboca ou avenida jurando mais uma fantasia puramente eleitoreira. Prometer tudo e entregar espuma, eis um hábito compulsivo e indestrutível de nossa política cotidiana.
Até hoje esperamos pela riqueza advinda da exploração mineral do Agreste, outra frente de desenvolvimento para nossa economia. Assim como no caso do estaleiro, a parceria entre Estado e capital privado prometia um novo mundo a partir da mineração do solo de Craíbas.
Em outra ponta, para desafogar o trânsito da capital, a solução também reaparece, a cada temporada, nos anúncios de propaganda do governo. Não sai do papel há quase uma década – mas o marketing não falha nunca. Otimista, não vejo a hora de descer e subir toda a Avenida Fernandes Lima, flutuando sobre carros e palmeiras, nos trilhos de um VLT. Será que vai demorar?
(Como jornalista, em diferentes postos e empresas, e em outras épocas, escrevi sobre os projetos citados neste texto. Por dizer o que pensava sobre esse tipo de estelionato, mais de uma vez fui acusado por patriotas locais de ser um “alagoano do mal”).